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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Infinite Book

por Ismael Sousa, em 01.10.18

Para estudantes e trabalhadores que sentem a necessidade de fazer vários esquemas ou vários apontamentos que no fim podem sempre acabar num caixote do lixo, há sempre uma pequena indecisão sobre o que usar. Os blocos de notas são sempre bons, mas depois existe a consciência ambiental. Há sempre a solução de um quadro branco, onde se escreve e apaga, mas tem a desvantagem de não ser portátil. Quem sabe uma ideia super brilhante poderia estar presente nesse quadro, mas que pode morrer ali por não haver forma de a levar a alguém. É claro que passar para papel exige algum trabalho e numa foto não dá para corrigir. Bem, ainda bem que neste mundo existem idiotas (e atenção ao verdadeiro significado da palavra)!

 

Corria o ano de 2014 quando o Pedro se deparou com três pequenos problemas: 1) o lápis nem sempre corre bem no papel, criando algum atrito e com isso vários bicos partidos; 2) A caneta cria algum compromisso, que não é ideal para quem estuda; 3) quadros brancos são solução mas obriga a estudar de pé e não dá para levar os apontamentos ao professor.

 

Perante estes três pequenos problemas (e alguns saberão bem a dor de cabeça que eles podem criar, principalmente quando escreves e riscas, escreves e riscas…) nasce assim o primeiro protótipo de um quadro portátil, ou melhor, um caderno onde as folhas são como um quadro branco. Fez várias experiências e apresentou a ideia a um amigo. A partir daí foi encontrar uma fábrica que aperfeiçoasse o protótipo. E assim nasceu o Infinite Book!

 

E é numa fábrica em Viseu que este caderno é feito.

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Comprei o meu primeiro Infinite Book na semana passada. Encontrei-o na Fnac à venda, com vários tipos de capa e várias funcionalidades. O meu é do Fernando Pessoa. Estava super entusiasmado em experimentar este meu novo caderno. Sou um amante de cadernos, com os mais variados tipos de capas, páginas e originalidade. Escrevo muito em cadernos, abandonando alguns por capítulos que se fecham, outros porque o que escrevi não faz mais sentido.

 

Sentei-me numa esplanada com o meu Infinite Book à minha frente. Risquei a primeira página, escrevinhei na segunda. Fechei o caderno e testei a sua durabilidade depois de as páginas estarem em contacto umas com as outras.

 

Voltei a abrir o caderno e passei a mão na primeira página, percebendo se facilmente sairia aquilo que acabava de riscar. Nada. O que estava riscado continuou como tinha deixado. Foi hora de voltar a página e perceber como tinha ficado o que escrevi na segunda página. Tal e qual como havia deixado. O meu primeiro teste a este produto inovador estava feito.

 

Agora era hora de apagar o que estava escrito. Depois de usar a borracha que a caneta trás, depois de limpar com um pano as páginas que usei, o caderno continuou impecável, como se nunca tivesse sido usado.

 

Esteticamente é um caderno bonito, maleável e muito funcional.

 

Agora surge a questão: para que serve este caderno? Bem pode servir para muitas coisas. No meu caso vai ser útil para fazer apontamentos para os blogues, vai ser útil para tirar notas no trabalho, para agendar e tirar apontamentos. A funcionalidade? Ótima, porque depois de realizadas as tarefas é possível apagar, é possível voltar a utilizar. E, já agora, é um produto português ao qual deve ser dado o seu mérito!

 

Parabéns ao Pedro por ser idiota (e se leres isto não te ofendas) e parabéns à empresa de Viseu que o produz. Agora vai ser bem mais fácil tomar notas não deixando de ser amigo do ambiente. Passem na página oficial (aqui) ou sigam no Instagram e Facebook (aqui e aqui).

 

P.S. – Gostaria de desafiar o Infinite Book a criar um caderno com pautas de música! Para músicos seria muito bom. Talvez com a imagem de Beethoven ou Mozart!

Poesia regada com Chá!

por Ismael Sousa, em 24.10.17

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Das improbabilidades surgem, muitas vezes, coisas boas e momentos inacreditáveis.

 

De um simples convite, para algo que eu não imaginava como fosse, para dentro de uma loja de chás aromatizados com poesias e conversas.

 

Foi no centro da cidade de Viseu, mais propriamente ao cima da rua Nunes de Carvalho, que o orgasmo literário e cultural se deu. Agulha do Tempo é o nome da casa de chás, onde se pode encontrar muito mais do que chás. Ali o chá é um chamariz, porque aquela pequena loja, de bicicleta à porta, escorre cultura e arte em todas as suas paredes, em todas as suas peças de mobiliário. É arte, pura, violentada, amada e, talvez, indesejada. É arte no falar, no olhar, no beber.

 

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E, numa pequena sala daquela casa, onde residem "restos" de história, mataram-se e voltaram a ressuscitar-se almas. Em volta de pequenas mesas, de conversas de amigos, a rede social mais antiga, a escrita, voltou a tomar forma. Não só pelos textos que se declamaram, mas como no chá que se bebeu (e que ainda guardo o sabor daquele chá amarelo, do Tibete), nas conversas e linhas de vida cruzadas. A arte surgia aos nossos olhos com um fantástico poder, embelezados pelos desenhos da querida e tímida Inês, pelas peças que nos transportaram a outras épocas, pela voz de cada um, que à sua maneira iam dando voz à poesia.

 

Chá e poesia: que dupla inevitável. O chá saboreia-se, aquece o corpo. Descobrem-se sabores, sensações e emoções (e aquele bendito chá amarelo que me transportou para a minha infância, o cheiro a trabalho do campo, agreste como cada dia de trabalho). E, inevitavelmente, as palavras escritas por grandes nomes e as novas descobertas. Emoções, sensações, palavras saboreadas, ruminadas, interiorizadas, que acalentam o coração. Um final de tarde de sábado, o frio a querer fazer-se sentir. Um fim de tarde outonal.

 

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Duas horas depois, despedi-me daqueles que me encheram o coração com palavras doces, palavras amargas, palavras de amor. Cá fora fazia frio e eu só queria voltar àquele recanto. Face.The.Book é sem dúvida um projeto fantástico. E em cada nova oportunidade, o esforço para estar novamente presente. Agulha do Tempo, umas loja a revisitar, um conversa com o Zé e a esposa.

 

Naquela pequena sala, aquecidos pelo calor do chá e pela chama da escrita, os leitores deram voz às almas presas em páginas de livros, pela mão de algum amante.

 

Obrigado Face.The.Book, obrigado Agulha do Tempo.

 

Quem passar por Viseu que não deixe de lá dar um saltinho!