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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Espero por ti...

por Ismael Sousa, em 10.08.18

Deambulo pelas ruas em busca de ti. Eu sei que tu não estás, mas todo o meu ser deseja encontrar-te. Vejo-te, agora, só na minha mente. Recordo com imensa intensidade o teu cheiro, o teu sorriso, a tua voz. Falta-me o calor do teu corpo junto ao meu.

 

Na minha memória guardo, com todas a minhas forças, cada momento passado junto a ti: as conversas que tivemos, os locais que visitámos, os beijos que roubámos.

 

Estou só: vive um corpo perdido sem ti. Na minha mente ecoam as perguntas de como estarás, se sentirás a minha falta e o quanto eu gosto de ti.

 

Abate-se, de uma forma intensa, sobre mim a saudade que tu me deixas.

 

Tão pouco tempo e um sentimento tão grande que transborda de uma forma que eu não consigo explicar. Falta-me as palavras, falta-me a vontade, abundam as lágrimas.

 

A distância é algo que nos atormenta, algo que se nos impõe sem que o desejemos. Um teste, talvez.

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Já não moram sorrisos neste rostos, já não resido aqui. Estou perdido e sem rumo e tu faltas para me orientar.

 

Há a esperança que ainda arde por te voltar a ter em meus braços, por sentir o sabor dos teus lábios. O meu coração palpita, as lágrimas não me abandonam. E eu... aqui, perdido em pensamentos, deambulando como morto pelas ruas, sem vontade de aqui estar.

 

Morro a cada minuto que passa, a cada quilometro que aumenta. Só eu sei Que morro por não te ter, por não saber quando voltarei a teus braços...

 

Espero por ti, nem que a chuva caia abundantemente.

 

Espero por ti, nem que as lágrimas consumam todo o meu ser.

 

Espero por ti até ao fim...

Tragédia - Regole de Contemplazione, de Pedro Inock

por Ismael Sousa, em 10.07.18

O silêncio. O silêncio e espaços abandonados. O teu silêncio. O caos. Vives no silêncio, tratando-o tantas vezes por tu. A tranquilidade, a paz. O abandono e o silêncio onde te abandonas. Um espaço tão teu que te parece preencher em todos os momentos. Tu, o teu espaço. Tantas palavras ditas em tão prolongados espaços de silêncio.

 

Talvez haja muito quem passe e não te compreenda no teu silêncio, no teu espaço, no caos que te rodeia. O silêncio, o teu silêncio perturbador.

 

Compreendo perfeitamente a noção de que um artista tenta exprimir na sua arte aquilo que vai dentro de si, a forma como vê o mundo, a forma como sente a negrura ou a luz que o rodeia. Um verdadeiro artista não faz algo só porque sim. Há ali palavras escondidas em ações, em traços.

 

Conheço, pouco, a arte que transmites. Conheço os teus silêncios. Tenho visto o caos em teu redor. Tento sempre ler algo nas palavras que não dizes, nas imagens que mostras e transmites. Não são imagens mudas, simplesmente não usam palavras.

 

Será errado, da minha parte, analisar a arte que fazes ou aquilo que tentas transmitir. Simplesmente posso falar, em palavras escritas e mudas, aquilo que transmite as imagens que partilhas, os silêncios imensos.

 

O silêncio, entre os homens, é assustador. Proferem-se constantes palavras, tantas sem qualquer sentido. Interrompem-se silêncios com palavras desnecessárias, por vezes tão absurdas. Tu reinas no silêncio, evitando as palavras. E a solidão, aquela solidão que não magoa porque não é abandono. Mas, ao mesmo tempo, o abandono e a destruição do que já foi e já não é. Talvez o caos que reina dentro de nós e que não conseguimos organizar, que não queremos demonstrar.

 

E nesse caos, nessa destruição e nesse abandono, na solidão e no silêncio, há uma enorme ordem estabelecida entre o correto e o incorreto. Há a expressão de que somos o que somos, que tão depressa seremos maré serena como tijolo quebrado. Perdem-se os alicerces, abandona-se aquilo que se quer recuperar e não se consegue entender.

 

Há, acima de tudo, a confusão que em nós encontramos e não conseguimos explicar. Ou talvez nem devêssemos querer explicar, mas simplesmente clarear. O caos tudo ordenou, o caos novamente ordenará. A maré calma voltará a abrir o caminho por onde deveremos caminhar. É necessária a calma, a tranquilidade. Fechar os olhos e escutar, fazer silêncio dentro de nós para escutar aquilo que somos, escutar qual o grito do mundo e tentar ser diferente. Chega de palavras desnecessárias, chega de ter medo.

 

Talvez não entendam ou talvez eu ache que entendo e não entendo. Talvez tudo aquilo que se quis transmitir nada seja aquilo que absorvi. Talvez a minha visão seja impura, prejudicada por sentimentos que tanto gritam dentro de mim, por imagens que desejo ler e não leio. Mas percebi o quão difícil é fazer silêncio, parar e olhar sem falar, sem perder tempo a ouvir, mas somente parar, escutar e deixar sentir. Talvez o caos tenha despertado a lágrima que há muito anseia cair e que esteve presa por momentos atarefados de uma vida, por dores que se sentiu e nunca se teve tempo de chorar. Talvez já não haja esperança e que seja melhor abandonar.

 

“Quando saíres mantém o silêncio... como se aqui estivesses.”

[Pedro Inock in "COMO SE AQUI ESTIVESSES - Diagrams on Brick Walls]

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[Este texto é uma reflexão minha a partir do trabalho "Tragédia - Regole de Contemplazione," de Pedro Inock, apresentado nos Jardins Efémeros 2018]

 

 

Silêncios...

por Ismael Sousa, em 05.07.18

Não são as palavras que definem a essência de uma pessoa. Não são as palavras que proferimos que nos tornam grandes e enormes no mundo.

 

O silêncio. Tantas vezes o silêncio que fazemos, a ausência das palavras torna-nos grandes na forma como nos expomos ao mundo.

 

Uma janela, um horizonte e uns quantos cigarros. A ausência total de uma única palavra e tanta expressão no olhar, nas expressões faciais e corporais. Um olhar preso no horizonte, um olhar cheio de tanta palavra por dizer e quem sabe sem ninguém para escutar.

 

O silêncio quase total. Somente o barulho que nos circunda. A reflexão interna e intensa de uma alma. Os sentimentos que ecoarão naquele coração, os pensamentos que correrão em sua mente. E a tristeza ou mágoa que parece inundar o seu ser. A incompreensão que paira no ar, a confusão que provoca a quem observa. O estranho mas tão natural. O preenchimento da vida em constantes palavras que se tornam vazias são contrastadas com o silêncio que se faz ouvir.

 

Lá longe o vento ou o mar.

 

Não há palavras para dizer, é preciso sentir-se na alma.

 

Fez-se silêncio. Fecharam-se os olhos, examinou-se a alma. Suspirou-se por um mundo melhor, onde existem tochas ainda acesas que dão luz num mundo de escuridão.

 

Olhei do lado de cá, para um espelho onde me encontrei. Olhei e vi o rosto de uma alma carregada e triste. Não era eu mas é como se fosse. Era um mundo e uma total inquietação.

 

As palavras baralham-se na forma e naquilo que quero dizer. Ou melhor, naquilo que quero escrever e ler no silêncio de um mundo cheio de barulho. As palavras faladas perdem todo o seu valor, escritas podem ser lidas e relidas, podem ser recordadas e queimadas. Podem ferir ou consolar, podem ser compreensão ou simplesmente revolução.

 

Palavras, muitas ou poucas. Podem dizer e não falar. Palavras que ninguém diz e tantos sentem.

 

Silêncio, o que eu mais desejo.