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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

No rasto das estrelas!

por Ismael Sousa, em 17.08.17

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A astronomia foi um conhecimento que me foi ensinado, sem que eu buscasse aprendê-lo. Sem querer, ficou o "bixinho" dentro de mim.

Há noites que são fantásticase e este pedaço de rocha que habitamos num Universo tão imenso, não pára de rodar.

Este é o registo de 1hora e 50minutos do movimento de rotação da terra sobre si. O local é o alto da Serra da Freita, em São Pedro do Sul, onde as estrelas passam a ser mil vezes mais, onde a Via Láctea nos impressiona ainda mais.

Info Técnica:

110' (220x30")

ISO 400

f/ 3.5

Montagem realizada com 'Startrails'!

Fé ou Tradição!

por Ismael Sousa, em 16.08.17

Há costumes, hábitos, tradições que, por mais que os tempos mudem, se vão perpetuando pelo tempo. Retomar ou simplesmente manter é, em algumas vezes, o propósito de vida de alguns. Outros tantos, por vezes, movem-se pela fé, por aquilo em que acreditam.

 

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Há uma aldeia fantasma, perdida nos vales da serra, onde o acesso é dificíl, tendo como única forma de chegar, as pernas. Os carros não chegam à aldeia, o caminho é cheio de pedras lisas e gastas pelas chuvas e pelos inúmeros pés que galgam aquela estrada. Nesta aldeia, da qual já aqui falei, não vive gente. Visitada pelos que ainda têm lá alguma coisa ou pelos escuteiros que vão dando vida aonde reina o vazio, a aldeia vai perdurando pelos tempos. Mas há um dia do ano em que a aldeia fantasma deixa de o ser e as suas ruelas de pedras de xisto são povoadas por inúmeras pessoas que ali se agregam para, junto da pequena capela da aldeia, assistirem à missa da padroeira, a Senhora da Assunção.

 

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Este ano, pela primeira vez, desci à aldeia (pela segunda vez na minha vida) para participar da Eucaristia e animá-la. Não sei se seriamos uma centena de pessoas, mas deveriamos ser quase. A pequena ladeira encheu-se de gente, sentada em muros e no chão. O órgão estava ligado a um pequeno gerador que os escuteiros lá têm. As pessoas, movidas por curiosidades ou apenas tradição, quiçá fé, seguiram como de costume atrás dos pequenos andores, ornados com as mais belas flores. Ladeira acima até ao cruzeiro, ladeira abaixo de novo para a capela. Um volta à capela e a tradição está mantida.

 

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Depois da missa foram-se estendendo mantas, abriram-se os farneis e por ali se almoçou. Ganhar forças para de novo subir a serra, voltar ao frenesim do dia-a-dia. Há um dia no ano em que todos, movidos pelos costumes e raízes, ainda que secos, voltam àquela terra de onde já todos desertaram. Quem saberá o que os move? Há algo que sempre faz voltar.

 

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Drave: paraíso no vale

por Ismael Sousa, em 17.04.17

Perdida onde se cruzam as serras da Freita, Arada e São Macário, encontramos uma pequena aldeia. Sem estradas alcatroadas, sem luz e abandonada, Drave mostra-se ao mundo através dos olhos de quem lá vai. Praticamente em ruínas, sem nenhum habitante, a aldeia da Drave é um local paradisíaco, onde a natureza abunda, o riacho corre livremente, os rebanhos pastam a seu bel prazer, os animais vivem numa imensa liberdade.

De difícil acesso e sem melhor maneira para se ir a não ser a pé, Drave encontra-se escondida, mesmo para quem passa nas estradas que a circundam de longe. Sem sinaléticas, é um local onde só vão os aventureiros ou aqueles que, de uma ou outra maneira ouviram falar. Ou pela aldeia de Regoufe, que dista a 4 km, ou pelo alto da serra, a caminhada é por caminhos de terra. Envolvida na flora abundante da serra, de arbustos rasteiros de carqueja, Drave apresenta-nos, num fim de tarde, uma aldeia castanha, em que as casas são todas da mesma cor. Não de cores comuns, nem das casas que normalmente vemos, mas de casas de pedra de lousa e telhados de xisto. A pequena capela é a única que se destaca, pela sua cor branca, caiada. Atravessamos o pequeno riacho e entramos naquela fantástica aldeia. As paredes grossas, as eiras toscas, as janelas abertas. Não há residentes, vizinhos. Somente o silêncio ali se pode encontrar.

Fantasma, a pequena aldeia da encosta tem vindo a ser reconstruído pelos Escuteiros, que ali vão aos fins-de-semana, em atividades ou simplesmente para manutenção. As casas que se encontram restauradas é um trabalho realizado pela Drave Scout Centre, mantendo toda a linha original, respeitando o espaço que a envolve. As noites que lá passam são iluminadas por velas e candeeiros. Há trabalho a fazer, locais para manter. As portas não têm fechaduras. O único pedido deste grupo de escuteiros pede é que nada seja retirado, que nada seja vandalizado. No rio corre água límpida e fresca. Pode descansar-se debaixo de uma árvore, sentar-se a admirar a paisagem verdejante. Drave é o local indicado para se ir quando a vontade de estar em contato com a natureza nasce. Uma caminhada, um local de descanso. E para terminar o dia, nada como voltar a subir a serra e admirar o fantástico pôr do sol que se esconde nas encostas da serra.

 

 

Para mais info, passar aqui!