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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Infinite Book

por Ismael Sousa, em 01.10.18

Para estudantes e trabalhadores que sentem a necessidade de fazer vários esquemas ou vários apontamentos que no fim podem sempre acabar num caixote do lixo, há sempre uma pequena indecisão sobre o que usar. Os blocos de notas são sempre bons, mas depois existe a consciência ambiental. Há sempre a solução de um quadro branco, onde se escreve e apaga, mas tem a desvantagem de não ser portátil. Quem sabe uma ideia super brilhante poderia estar presente nesse quadro, mas que pode morrer ali por não haver forma de a levar a alguém. É claro que passar para papel exige algum trabalho e numa foto não dá para corrigir. Bem, ainda bem que neste mundo existem idiotas (e atenção ao verdadeiro significado da palavra)!

 

Corria o ano de 2014 quando o Pedro se deparou com três pequenos problemas: 1) o lápis nem sempre corre bem no papel, criando algum atrito e com isso vários bicos partidos; 2) A caneta cria algum compromisso, que não é ideal para quem estuda; 3) quadros brancos são solução mas obriga a estudar de pé e não dá para levar os apontamentos ao professor.

 

Perante estes três pequenos problemas (e alguns saberão bem a dor de cabeça que eles podem criar, principalmente quando escreves e riscas, escreves e riscas…) nasce assim o primeiro protótipo de um quadro portátil, ou melhor, um caderno onde as folhas são como um quadro branco. Fez várias experiências e apresentou a ideia a um amigo. A partir daí foi encontrar uma fábrica que aperfeiçoasse o protótipo. E assim nasceu o Infinite Book!

 

E é numa fábrica em Viseu que este caderno é feito.

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Comprei o meu primeiro Infinite Book na semana passada. Encontrei-o na Fnac à venda, com vários tipos de capa e várias funcionalidades. O meu é do Fernando Pessoa. Estava super entusiasmado em experimentar este meu novo caderno. Sou um amante de cadernos, com os mais variados tipos de capas, páginas e originalidade. Escrevo muito em cadernos, abandonando alguns por capítulos que se fecham, outros porque o que escrevi não faz mais sentido.

 

Sentei-me numa esplanada com o meu Infinite Book à minha frente. Risquei a primeira página, escrevinhei na segunda. Fechei o caderno e testei a sua durabilidade depois de as páginas estarem em contacto umas com as outras.

 

Voltei a abrir o caderno e passei a mão na primeira página, percebendo se facilmente sairia aquilo que acabava de riscar. Nada. O que estava riscado continuou como tinha deixado. Foi hora de voltar a página e perceber como tinha ficado o que escrevi na segunda página. Tal e qual como havia deixado. O meu primeiro teste a este produto inovador estava feito.

 

Agora era hora de apagar o que estava escrito. Depois de usar a borracha que a caneta trás, depois de limpar com um pano as páginas que usei, o caderno continuou impecável, como se nunca tivesse sido usado.

 

Esteticamente é um caderno bonito, maleável e muito funcional.

 

Agora surge a questão: para que serve este caderno? Bem pode servir para muitas coisas. No meu caso vai ser útil para fazer apontamentos para os blogues, vai ser útil para tirar notas no trabalho, para agendar e tirar apontamentos. A funcionalidade? Ótima, porque depois de realizadas as tarefas é possível apagar, é possível voltar a utilizar. E, já agora, é um produto português ao qual deve ser dado o seu mérito!

 

Parabéns ao Pedro por ser idiota (e se leres isto não te ofendas) e parabéns à empresa de Viseu que o produz. Agora vai ser bem mais fácil tomar notas não deixando de ser amigo do ambiente. Passem na página oficial (aqui) ou sigam no Instagram e Facebook (aqui e aqui).

 

P.S. – Gostaria de desafiar o Infinite Book a criar um caderno com pautas de música! Para músicos seria muito bom. Talvez com a imagem de Beethoven ou Mozart!

#EuNãoMeCalo

por Ismael Sousa, em 17.07.18

"Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade."

Eis o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

 

Não é a primeira vez que falo sobre este tema ou que cito este primeiro artigo daquela que é a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Não é a primeira vez que falo sobre este tema, incomodando muita gente e deixando sempre todos aqueles que me lêem um tanto ou quanto chocados. Não é a primeira vez que me revolto por causa disto, por causa de temas como este.

 

Nenhum de nós pediu para vir ao mundo. Nenhum de nós teve a livre decisão de viver nesta sociedade. Nenhum de nós desejou viver num mundo assim. Mas todos fomos obrigados a nascer, obrigados a fazer parte desta sociedade. Mas todos somos livres de expressarmos a nossa opinião, desde que a mesma respeite a pessoa que está ali ao lado. Há coisas que podem ser ditas, outras só podem ser pensadas. Na minha educação sempre houve o princípio de que a minha liberdade termina onde começa a do outro. Nenhum de nós escolhe a forma como nasce nem onde nasce. Mas todos escolhemos a forma como desejamos viver esta vida que nos foi dada.

 

Nos primórdios da criação, os homens comiam carne crua, andavam sobre os pés e as mãos. Nos primórdios da existência humana vivia-se em cavernas, andava-se nu e sujo. O homem, "dotado de razão" evoluiu: cozinhou a carne, vestiu roupas, lavou-se, construiu casas e formou sociedades. A "razão" evoluiu consoante as descobertas que o homem foi feito. E desde que o homem decidiu ser diferente dos outros animais que a evolução tem tido somente uma direção: sempre em frente. Diferentemente, o pensamento humano parece estar a regredir no tempo.

 

Cada pessoa é livre e decide fazer da sua vida aquilo que deseja. Uns preferem manter-se calados, outros decidem falar. E no que toca a uma violação de um direito que nos é dado logo quando nascemos, eu não me consigo calar.

 

A noticia tem sido falada, a noticia tem sido abafada. Uma vez mais o xenofobismo e a homofobia estão em cima da mesa para ser debatida e falada. Num lado temos uma etnia, por outro uma orientação sexual. Todos olham para estes rótulos mas ninguém olha para o que está por detrás desses rótulos: homens!

 

A violência sempre foi a espécie de cobardia mais bem camuflada de todos os tempos. Age-se por medo da opressão, por cobardia e falsos idolos. Agride-se por inveja, inveja a uma felicidade alheia, incapazes de conviver com isso. Há gente que não entende, existe gente que não suporta.

 

Há sempre um enorme conflito em torno das Marchas LGBTI que ocorrem em todo o mundo. As pessoas acham que esta marcha é uma afronta à sociedade, há outros que a entendem por uma demonstração de isto ou aquilo. Marcha-se por direitos, marcha-se por convicção, marcha-se por contrariedade à opressão. Todos marcham por esta ou aquela questão. As mulheres marcharam por ter um lugar melhor na sociedade, os homens marcharam por melhores condições de vida e trabalho. Os portugueses marcharam contra o regime salazarista, o mundo marchou pela Paz.

 

Mas aqui não se trata de ser uma marcha disto ou daquilo. Trata-se de uma violação grave dos direitos dos homens. É verdade, sim, que este é um tema que tem muito por onde se falar. Mas despindo-me de etnias e orientações sexuais, cinjo-me ao que está no pano de fundo: um grupo de homens agride outro grupo de homens por uma mifestação de amor. Eu não tenho outro nome a não ser ignorância ou necessidade de superioridade. Não existem desculpas para a agressão. Qual o propósito? Onde está a compreensão? Há sempre mil e uma questão.

 

A violência gera violência. E quanto mais uma sociedade é oprimida, mais essa sociedade se torna revoltada e provocadora. Existem sempre culpas parte a parte. Há abusos de um lado, abusos de outro. Mas independentemente das opiniões, independentemente das crenças, urge a necessidade de se respeitar o ser humano como ele é, naquilo que ele acredita. Vivemos numa sociedade avançada em tecnologia e retrogada em pensamento. Haverá sempre algo que não vamos gostar, algo que não vamos aceitar. Mas daí a cometer crimes, a agredir uma pessoa, ultrapassa-se todos os limites.

 

Há sempre muito a dizer, o meu tempo escasseia, eu nem sei como escrever sobre a revolta que existe dentro de mim. Não consigo escrever um texto tão bom quantos outros que tenho lido. Não consigo escrever um texto que toque os corações de quem os lê. Mas consigo não ficar calado e à minha maneira marcar a minha posição. Um dia o homem compreenderá os erros que cometeu e virá a público pedir desculpa. Homens serão sempre homens, aqui ou no infinito do Universo. Seria bom que como diz o artigo primeiro da Desclaração Universal dos Direitos Humanos, devemos "agir uns para os outros em espírito de fraternidade."

O que é o amor?

por Ismael Sousa, em 16.07.18

Acho que nunca percebi bem o que é o amor. Aprendi sobre ele, em tantos e variados momentos da minha vida, mas acho que nunca o compreendi muito bem, ou melhor, nunca o entendi.

Sempre que falo em amor, na minha visão do que ele é, compreendo sempre, nas minhas palavras, que o amor deve ser a dádiva a outra pessoa. Que deve fazer-se renascer a cada momento que passa, a cada dia, cada mês, cada ano.

Sempre compreendi que no amor temos que ceder e marcar posição. Que não deve ser só uma parte a ceder, mas ambas. Sempre percebi e entendi que no amor se sofre: não uma dor física ou uma dor provocada pelo outro. Mas sim aceitar e viver a dor que a outra parte sente, mesmo que pareça ridícula.

Houve alguém que disse uma vez: “se eu tivesse amnésia, apaixonar-me-ia por ele todos os dias.” E para mim, nesta minha sabedoria parva e tentativa de compreender algo que acho não conseguir ter esclarecido na totalidade, isto é o verdadeiro amor: fazer cada dia como se fosse a primeira vez.

Sou um lobo solitário sem ninguém com quem partilhar os meus dias, e por essa razão vou sendo, em muito, diário de outros. Tenho visto muitas coisas e não consigo perceber como é que alguém que está numa relação não consegue fazer mais por ela, aproveitar cada segundo com a pessoa que se ama, lutar para não a perder.

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Continuo a achar que o ser humano está cada vez mais centrado em si próprio, querendo que o mundo gire em seu redor do que em redor de outrem. Eu continuo a ser contrário a esta regra que me salta à vista e continuo a desejar que a minha vida gire em torno de alguém.

Amar é das coisas mais belas. Chego a esta conclusão por diversos fatores, mas também como síntese de muitas das minhas leituras. O homem procura amor mas não é capaz de se entregar ao amor. O homem procura ser amado, mas não quer amar. A ideia do geocentrismo perdeu-se há vários séculos. Mas há vários séculos que se criou o egocentrismo. O eu está a cima de tudo, independentemente da forma como se conquista essa posição. As pessoas dão mas não se dão.

Há a dor de não se ser amado, a mágoa de algum amor. E porque se passou por isso uma vez, tende-se a fechar-se o coração e a pensar somente com a razão. E a razão é instinto animal e como os animais deixamos de fazer amor passando a fazer-se sexo. Já não há amor mas relações , mas o uso de alguém para satisfação de si.

Sempre existiram pessoas Alfa. Hoje todos querem ser alfa rejeitando a ideia de se ser uma outra letra do alfabeto grego. Queremos mas não damos, esperando sempre só receber. Talvez se tenha esquecido o verdadeiro significado da palavra dar, substituindo-a por descargo de consciência.

É das coisas mais difíceis o sair-se de si em busca do outro. É uma espécie de subjugação ou humilhação perante o outro. Mas sair-se de si em prol de outrem é uma das características do amor. Hoje amam-de objetos e locais mas não se amam pessoas. Hoje ama-se de mais aquilo que não pode retribuir amor.

Compreendo e aceito na sua perfeição que o amor não é fácil. Mas amar nos primeiros dias também nunca foi difícil. Parece-me que se ama até determinado momento, mas depois vive-se, acomodado, ao lado de alguém. E achar-se que esse alguém é nosso por direito é matar o amor; tratar essa pessoa de forma má só porque achamos que ela nunca nos vai abandonar, é matar o amor. E o amor deve ser algo que se rega todos os dias e não que se arranca para não impedir que o ego cresça.

“Amar dói: se não doer não é amor”! Escrevi estas palavras um dia percebendo, à posteriori, que poucos foram aqueles que compreenderam a verdadeira essência desta frase. Amar dói porque sofremos com alguém, obriga-nos a sairmos da nossa praia, a lutar em cada novo dia.

Se amar é a coisa mais bela, porque desperdiça o homem esse dom? Se amar é a coisa mais bela, porque matamos este sentimento? 

Tragédia - Regole de Contemplazione, de Pedro Inock

por Ismael Sousa, em 10.07.18

O silêncio. O silêncio e espaços abandonados. O teu silêncio. O caos. Vives no silêncio, tratando-o tantas vezes por tu. A tranquilidade, a paz. O abandono e o silêncio onde te abandonas. Um espaço tão teu que te parece preencher em todos os momentos. Tu, o teu espaço. Tantas palavras ditas em tão prolongados espaços de silêncio.

 

Talvez haja muito quem passe e não te compreenda no teu silêncio, no teu espaço, no caos que te rodeia. O silêncio, o teu silêncio perturbador.

 

Compreendo perfeitamente a noção de que um artista tenta exprimir na sua arte aquilo que vai dentro de si, a forma como vê o mundo, a forma como sente a negrura ou a luz que o rodeia. Um verdadeiro artista não faz algo só porque sim. Há ali palavras escondidas em ações, em traços.

 

Conheço, pouco, a arte que transmites. Conheço os teus silêncios. Tenho visto o caos em teu redor. Tento sempre ler algo nas palavras que não dizes, nas imagens que mostras e transmites. Não são imagens mudas, simplesmente não usam palavras.

 

Será errado, da minha parte, analisar a arte que fazes ou aquilo que tentas transmitir. Simplesmente posso falar, em palavras escritas e mudas, aquilo que transmite as imagens que partilhas, os silêncios imensos.

 

O silêncio, entre os homens, é assustador. Proferem-se constantes palavras, tantas sem qualquer sentido. Interrompem-se silêncios com palavras desnecessárias, por vezes tão absurdas. Tu reinas no silêncio, evitando as palavras. E a solidão, aquela solidão que não magoa porque não é abandono. Mas, ao mesmo tempo, o abandono e a destruição do que já foi e já não é. Talvez o caos que reina dentro de nós e que não conseguimos organizar, que não queremos demonstrar.

 

E nesse caos, nessa destruição e nesse abandono, na solidão e no silêncio, há uma enorme ordem estabelecida entre o correto e o incorreto. Há a expressão de que somos o que somos, que tão depressa seremos maré serena como tijolo quebrado. Perdem-se os alicerces, abandona-se aquilo que se quer recuperar e não se consegue entender.

 

Há, acima de tudo, a confusão que em nós encontramos e não conseguimos explicar. Ou talvez nem devêssemos querer explicar, mas simplesmente clarear. O caos tudo ordenou, o caos novamente ordenará. A maré calma voltará a abrir o caminho por onde deveremos caminhar. É necessária a calma, a tranquilidade. Fechar os olhos e escutar, fazer silêncio dentro de nós para escutar aquilo que somos, escutar qual o grito do mundo e tentar ser diferente. Chega de palavras desnecessárias, chega de ter medo.

 

Talvez não entendam ou talvez eu ache que entendo e não entendo. Talvez tudo aquilo que se quis transmitir nada seja aquilo que absorvi. Talvez a minha visão seja impura, prejudicada por sentimentos que tanto gritam dentro de mim, por imagens que desejo ler e não leio. Mas percebi o quão difícil é fazer silêncio, parar e olhar sem falar, sem perder tempo a ouvir, mas somente parar, escutar e deixar sentir. Talvez o caos tenha despertado a lágrima que há muito anseia cair e que esteve presa por momentos atarefados de uma vida, por dores que se sentiu e nunca se teve tempo de chorar. Talvez já não haja esperança e que seja melhor abandonar.

 

“Quando saíres mantém o silêncio... como se aqui estivesses.”

[Pedro Inock in "COMO SE AQUI ESTIVESSES - Diagrams on Brick Walls]

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[Este texto é uma reflexão minha a partir do trabalho "Tragédia - Regole de Contemplazione," de Pedro Inock, apresentado nos Jardins Efémeros 2018]

 

 

Em sua memória!

por Ismael Sousa, em 29.06.18

Não existe dor maior que aquela que o ser possui no seu coração por não corresponder aos padrões que a sociedade impõe em cada momento. A diferença fazia parte de si desde muito novo, desde a infância e em toda a vida. Não gostava do que a maioria gostava, não se comportava como todos os outros. Fechava-se, reprimia em si a sua verdadeira essência, tantas vezes apontado e descriminado perante um sociedade que desejava a uniformidade. Em rebanho de ovelhas brancas, sentia-se sempre a ovelha negra. Os olhos e as palavras matavam demasiadas vezes. Procurava a solidão na sua maioria das vezes. Sentia-se incompreendido, ou tantas vezes compreendido mas ignorado por causa de estúpidas aparências, por estúpidas regras que lhe eram impostas.

 

A solidão é, sempre, um pau de dois bicos que tanto ajuda como fere. O abandono é a maior dor de uma alma e de um corpo que se vê colocado de lado perante todos os que o rodeiam. Mesmo os maiores esforços se tornavam, tantas vezes, em pequenas migalhas dadas a alguém faminto e em tamanhos monstros à vista de todos. Um simples pormenor, algo simplesmente diferente: uma faca de dois gumes que fere quando entra e quando sai.

 

A estupidez nas atitudes e palavras. A morte de tantos por causa de paradigmas e mentiras. A morte e desaparecimento de tantos que no silêncio e no abandono foram morrendo, pouco a pouco, e entregando-se à morte. E os rios de lágrimas, as palavras ditas e não ditas, as ações praticadas e as que ficaram por concretizar, as promessas não cumpridas: o arrependimento. A morte que trás a culpa, o remorso, a tristeza e o afastamento corporal. E a imagem que depois deixa de aparecer, o sorriso que não se recorda nas memórias, o olhar triste que predomina. Um único culpado, milhares de aliados.

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O tempo, o tempo que tudo mata, o tempo que é escasso e sempre em demasia; o tempo que damos e nunca recuperamos, o tempo que esbanjamos e nunca reconquistamos. E ele foi-se perdendo, abandonando tudo aquilo que sempre amou. Ele foi-se apagando, apagando à vida e à luz.

 

A diferença, tantas vezes a diferença e os paradoxos que ainda existem, os preconceitos e mentiras, a falta de amor em tantos corações que tudo têm. E pediu tão pouco e nada lhe foi dado: compreensão, aceitação, amor.

 

Amou sempre de mais. Não conseguia ser diferente. Amava quem o odiava, amava quem o usava. Nunca soube o que era ser amado, o que era receber aquilo que tanto dava. Apagou-se para a vida, deu espaço à morte.

 

Partiu. Despediu-se com poucas palavras. Matou-se. E haveriam ainda de o chorar, mas agora não era tempo. Tudo permanecia igual, tudo parecia como dantes. Mas depois começou a faltar a presença, começou a faltar aquilo que sempre havia. Ele já não estava lá.

 

Um dia matou-se. Matou o ser que era e obrigou-se a nascer o que agora é. A diferença não tem que ser compreendida mas respeitada. A vida não tem de ser fácil, mas ajudada. O amor não pode existir onde não houver reciprocidade.

 

Matou-se. Matou em si tudo aquilo que algum dia o impediu de ser feliz. A diferença é aos olhos dos outros, a solidão é mais reconfortante que o mar de multidões sem amor.

 

Matou-se e matou quem nunca o quis compreender, quem sempre o desprezou, quem nunca o ajudou. Haviam de o chorar mas ele não estaria lá para reconfortar.

Coisas de dar a volta à tripa!

por Ismael Sousa, em 16.04.18

Sou, por natureza, feitio, defeito, aquilo que lhe quiserem chamar, um ser irritante. Admito-o contra todas as minhas forças (ou não). Sei que irrito de várias maneiras. Mas também há coisas que me irritam, irremediavelmente. Esta semana houve uma série de pequenas coisas que me irritaram, que me chatearam, que me deram "a volta à tripa". Nem sei bem por onde começar. Talvez pelo principio, mas não sei bem qual ele é.

Quem me conhece sabe bem como me sinto sempre sensível quando ouço assuntos relacionados com o Cancro. Esta semana foi, por várias vezes, falado o tema de as crianças estarem a fazer quimioterapia num corredor do Hospital de São João. Eu não compreendo todas as justificações que o hospital dá ou deu. A sério que tento fazer um esforço, mas não consigo, é mais forte do que eu. Não se trata somente da questão de quimioterapia, mas sim das crianças. Não consigo compreender como se consegue sujeitar as crianças a tal. É que são crianças que têm uma doença de adultos, uma doença dolorosa, um tratamento horrível que já por si causa danos psicológicos horríveis, e ainda têm de se sujeitar a estar num corredor? Não compreendo, muito sinceramente. Pior do que isto é, sem dúvida, o estúpido comentário, a estúpida crónica que algumas pessoas escrevem num jornal sobre o caso. Bem, é que para além de estúpido é parvo. Como é que alguém no seu estado de sanidade mental escreve uma crónica a comparar crianças que fazem quimioterapia com crianças que morrem na Síria? Não existe, sequer, margem para comparação; não existe, em ponto algum do mundo, motivo de brincadeira nisto. Existe mau gosto, existe estupidez e a prova de que basta ter um nome conhecido para se poder dizer tudo o que se quer. Desculpem mas não consigo achar isso correto.

Tornou-se publica, esta semana, uma reportagem sobre os fogos que deflagraram em outubro do ano passado. Primeiro tenho que dizer que não consigo acreditar que tamanho flagelo tenha sido planeado como referido. Não quero acreditar que se faça tamanha barbaridade e se consiga dormir à noite. Valerá a pena correr um risco tão grande? Não tenho sequer palavras para falar sobre isso. É mau, muito mau. A provar-se que tal aconteceu, devem ser tomadas medidas muito rigorosas. Mas ainda sobre este caso, o dos fogos, mais uma vez quem me conhece sabe que raramente opino sobre coisas que desconheço ou das quais não tenho dados suficientes para falar. É um tanto ou quanto revoltante ouvir as pessoas a fazerem declarações falsas para a televisão. Não sei como podem estas ditas pessoas alegarem que nunca receberam nenhum apoio por parte dos municípios por terem sido vitimas do fogo. Passaram-me pela mão quantidades enormes de cabazes para estas famílias, houve centenas de pessoas a ajudarem "por fora" estas famílias. Nenhuma família ficou a dormir na rua, nenhuma família passou fome. Se as pessoas não puderam retirar as coisas depois do fogo de suas casas, se os dinheiros desejados ainda não chegaram, por algum motivo foi. Existem já casas construidas para famílias que ficaram sem nada que ja foram entregues, mas isso não é publicitado. Se as pessoas têm candidaturas para fazer, se há atrasos é por causa daqueles que se aproveitaram da situação, que choraram aquilo que não tinham. É daqueles que abusaram, daqueles que vigarizaram.

Infelizmente aquilo que mais vende nos dias de hoje é a mentira e a burrice. E, por incrível que pareça, ainda existe muita gente sem o crivo necessário a filtrar estas mentiras. Tenho direito à minha opinião e a expressá-la. Infelizmente eu não tenho um nome público que faça chegar estas palavras mais longe. Mas antes assim que ser conhecido por tecer comentários idiotas.

Ah, para finalizar, seria bom que as pessoas pensassem que nem tudo tem uma segunda inteção e que as pessoas não são todas iguais. Votos de uma boa semana!

 

Plano B ou Plano R!

por Ismael Sousa, em 07.04.18

O assunto está na crista da onda. É motivo de falatório mas também motivo de vergonha.
Pessoalmente não sou muito ligado às questões de futebol e muito menos tenho o costume de opinar sobre elas. Mas aqui não se trata de uma questão futebolística mas sim de uma questão de bom senso ou, na melhor das hipóteses, a falta dele.
Há muito que digo que o Sporting Clube de Portugal tem estado num estado (e perdoem-me a redundância) de calamidade. Não que tenha mais jogadores ou que não se empenhe no seu trabalho, mas sim por causa do presidente do clube em questão. Numa colmeia, se a abelha rainha não está bem, toda a colmeia não está bem, baixando o seu rendimento. Numa alcateia acontece exatamente a mesma coisa. Ora nestas questões de associativismo, clubes, o que lhe queiram chamar, Bruno de Carvalho é a nódoa que todos veem mas que ninguém tem coragem de dizer que lá está.
Não sou associado ao clube, nem me faz qualquer tipo de diferença: eu não tenho interesse em futebol. Mas existem coisas que ultrapassam todos os limites. Para perceberem como sou tão desligado desse mundo, acreditem que só hoje de manhã, quando no café peguei no jornal é que percebi a piada que ontem corria no Facebook: “Preciso de gente para jogar no domingo. É contra o Paços...”
Segundo aquilo que li, o senhor Burro de Carvalho, decidiu suspender todos os jogadores que se manifestaram em concordância com as declarações nas redes sociais do capitão de equipa, Rui Patrício. Ora, como no Sporting Clube de Portugal se vive num regime ditatorial, todo aquele que manifesta contra o seu presidente, vai preso. Bruno de Carvalho (e desculpem mas ia-me fugindo novamente para Burro) acha-se no direito de dizer aquilo que bem entende sobre a “sua” equipa, não sendo capaz de perceber que o grande problema está no seu umbigo.
Continuo sem perceber o porquê dos sócios terem votado nesta espécie de gente para presidente do clube que dizem amar. Há coisas que me ultrapassam e não consigo perceber.
Ora bem, dizia a capa de jornal que O Senhor Ditador Bruno de Carvalho tinha um “plano B”, ou seja, a equipa B do Sporting. Na minha simples e modesta opinião, que vale o que vale, acho que deveriam ser colocados em ação um dos dois seguintes planos: Plano B de burro ou Plano R de rua! Ou a direção do Sporting Clube de Portugal se une e pede a demissão do seu presidente (possibilidade está constante em todos os estatutos, pondo assim em prática o Plano R ou a equipa B não joga (porque não fazerem uma greve? Nunca vi nenhum futebolista fazer greve, mas haveria de ser engraçado) fazendo entender ao Ditador Burro que é tempo de ir mandar para outro lado!
Sem Bruno de Carvalho o Sporting Clube de Portugal continua a ser um Clube digno e tão grande como sempre foi; com Bruno de Carvalho o Sporting vai perdendo credibilidade e um dia correrá o risco de deixar de existir!
Penso que a melhor decisão vai ser tomada e que não tardaremos a ver este clube a erguer-se. Agora que eu já comprei umas pipocas para assistir à queda do Grande Ditador Burro de Carvalho, ah isso sim.

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P.S. - Este texto baseia-se na ironia. Atenciosamente!

"Não te esqueças de aproveitar"

por Ismael Sousa, em 29.03.18

Das coisas que mais aconselho aos meus amigos, sempre que estes partem para algum local, vão visitar algo ou assistir a um espetáculo é, sempre, que aproveitem.

Creio que por vezes não se entende bem o que é este aproveitar. E na verdade o que é?

 

Sempre que saio de casa, para qualquer lugar, concentro-me sempre neste meu ideal. Gosto muito de fotografia e por vezes torna-se um bocado difícil distanciar-me da objetiva. Se não levo a Canon comigo, tendo a prender-me atrás do telemóvel, para conseguir registar sempre alguma coisa dos meus passeios.

 

Sou um ser mais de fora da gaiola que propriamente do seu interior. Sempre me achei muito preso dentro de quatro paredes. Por isso, sempre que posso, lá vou eu “laurear a pevide” para qualquer lugar, nem que seja só para dar uma volta por locais que estou farto de conhecer.

 

Como dizia esta semana, aquando da minha visita a Guimarães (podem ler aqui), cada local merece sempre uma segunda, terceira, quarta visita. Existem coisas que não cansam e inúmeros detalhes que nunca nos apercebemos ou que não demos a devida atenção.

 

Creio que os meus amigos me acham um pouco estranho por ter esta minha tendência de ir (e por outras coisas mais), nem que seja sozinho. Gosto de passear por ruas e ruelas, olhar as casas e as portas, as ruas e as vista. Claro que ando sempre a fotografar, é-me impossível não o fazer. Mas também há alturas em que gosto simplesmente de aproveitar e são esses momentos que mais me marcam a memória.

 

Não sei bem como descrever aquilo que quero dizer. Por exemplo: o ir e sentar-me ao sol numa esplanada, simplesmente a olhar o mar é algo que sempre faço, pela calma que me dá. Ou ficar a ver um por-do-sol ou simplesmente caminhar por entre as ruas.

Aproveitar, no meu ponto de vista, é fazer-me um com aquilo que se depara diante de mim, como a vista para o rio ou para o mar, a cor que o sol pinta nas casas ou a sombra que reside nas ruas com os dias nublados. É notar que há uma varanda engraçada, uma pequena pintura numa parede ou mesmo uma casa abandonada. Por vezes é sentir os cheiros que daqueles locais emanam, ver o rosto das pessoas.

 

Esta forma de aproveitar é sentir e reencontrar-me. É o parar que por vezes necessitamos, é sentirmo-nos felizes. Talvez aquilo que eu queira sempre dizer não seja explicável por palavras, mas somente pelo abandono aos sentimentos, emoções, vistas e sensações que algo nos pode proporcionar. Existem alturas em que o simples estar numa esplanada de uma praça a apanhar o sol ou a sentir a vida daquele local é-me mais proveitoso que um entra e sai aqui ou acolá. Uma boa tarde com amigos, a rir, recordar, falar, ou o simples fechar de olhos ao ouvir uma música faz sentir mais que toda a diversidade que possa existir.

 

Por isso a todos os leitores, nesta época de festa que é a Páscoa, desafio-vos a aproveitarem bem, quer seja a passear, em casa ou em família. Vivam o momento, esqueçam por alguns momentos os problemas, desliguem das redes sociais por um bocado. Em vez de postarem, vivam. Postem depois, vivam o agora.

 

Feliz Páscoa e aproveitem!