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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Diga não à autoestrada, conheça o nosso país!

por Ismael Sousa, em 21.08.17

As redes de autoestradas são um meio fácil e rápido de acesso entre vários pontos do país. Fácilmente entramos e saímos perto do local que desejamos, viajando a um velocidade mais confortavel, sem semáforos e limites de velocidade ridículos. Vamos de um ponto ao outro do país sempre sem parar. A paisagem é sempre a mesma, sem grandes diferenças: mato, mato e mato. Tirando as grandes metrópeles, esta é a vista que se tem durante uma viagem numa autoestrada. Mas para quem, neste fim de mês de agosto e final de verão, ainda for gozar umas férias, diga NÃO às autoestradas.

 

Sempre gostei de andar de um lado para o outro, parar aqui e acolá. Irritam-me as viagens diretas, em que saímos de um ponto, fazemos uma carrada de quilómetros somente para ir sair num outro ponto. E o que está no meio? Ninguém sabe! Mas quando a pressa aperta, lá tenho que ceder a fazer rodagem em alcatrão de autoestrada.

 

E este fim-de-semana foi assim. O caminho para as Caldas da Raínha foi feito pelas várias autoestradas que se tem de percorrer para lá chegar. Foi uma viagem de descida (territorial) apressada e com algum nervosismo à mistura (mas quanto a isso, nada a fazer). Rodou o pimba durante toda a viagem, misturado com o latino e o cigano. Diga-se de passagem que a viagem foi horrível, cuja única paragem foi no McDonald's de Tomar para recarregar baterias e ter a força física (e mental) necessária para chegar ao destino.

 

A zona das Caldas da Rainha é, para mim, sempre um bom local de descanso. O Oeste tem coisas fantásticas, permitindo-nos recarregar baterias com muita facilidade. Apesar de este fim-de-semana não ter passeado por aquela zona, no ano passado tive o previlégio de ir conhecendo aquela zona. Ali há muito para ver e muita história para saborear. E não precisamos de passar muito tempo enfiadinhos (tipo salsicha enlatada) dentro del coche!

 

Começando pelas Caldas da Raínha, que até nem parece ter grande coisa para visitar, podemos perder-nos pelo parque Dom Carlos I, onde nos podemos perder por entre um verde abundante, um lago ladeado por uma velha instancia termal, mais o Museu José Malhoa e um café fantástico (tanto em decoração como em serviço). Tem praças e Bordalo Pinheiro por todos os lados, uma praça de touros e ruelas cheias de vida.

 

Deixando as Caldas da Rainha para trás, temos a poucos quilómetros o famoso Bacalhôa Buddha Éden, onde se podem perder várias horas a passear por entre budas, soldados e fabulosas peças de arte, rodeadas por uma enorme mancha verde e um lago que nos dá vontade de mergulhar.

 

Óbidos é também paragem obrigatória e fica ali bem pertinho. Mas antes ainda há uma velha e imponente igreja, no Senhor da Pedra, que deixa qualquer admirador de arquitetura maravilhado e apaixonados os amantes de arte sacra. Em Óbidos há uma imensidade de coisas para ver, desde livrarias em que as prateleiras são caixas de fruta ou uma outra dentro de uma antiga igreja. Há a muralha e a ginja. Nas costas de Óbidos há uma lagoa e a poucos quilómetros Peniche com tanto para oferecer.

 

Bem, mas comecei este texto falando das autoestradas porque, na volta das Caldas da Raínha, decidi nem percorrer um metro de autoestrada. Arriei (como se diz por estas bandas) caminho por estradas nacionais e, há semelhança de um ano atrás, visitei aqueles espaços em que até as pedras da calçada são históricos.

 

Passando ao lado de São Martinho do Porto (outro local que merece sempre uma visita), a minha primeira paragem foi em Alcobaça. O mosteiro estava fechado (e já o visitei), mas no grande adro em frente, uma feira de velharias. Contudo Alcobaça não se fica só pelo mosteiro, pois a zona que o rodeia também é digna de ser vista. Há casas com azuleijos, túneis afontanados. Ali respira-se história.

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 Alcobaça ficou para trás e o meu próximo destino foi Fátima. Contudo, no caminho de Alcobaça até Fátima, podemos visitar locais como o Mosteiro da Batalha, os campos de batalha de Aljubarrota, entre outros locais que as setas castanhas nos vão indicando.

Contornando o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, chega-se a Fátima. Mas para aqueles que Fátima é um local indiferente, existe sempre a possibilidade de se visitarem as grutas que são de uma beleza estonteante. E que tal aquela sensação de estar "dentro" da terra?

 

Rumando a norte, parei em Leiria para visitar aquela cidade uma vez mais e conhecer o Castelo lá no alto. Leiria tem em si parques e praças, ruas catitas e pintadas. Mas tem também uma Sé que deixa qualquer um mergulhado numa enorme paz. Tem um fantástico órgão de tubos e telas dignas de serem vistas. A Igreja da Misericórdia é também local de paragem obrigatória, não pela sua imponência mas pela beleza e simplicidade a ela aliada. Lá no alto, imponente, as muralhas do velho Castelo. 2,10€ de entrada para uma enormidade de ruínas que levam a nossa mente a imaginar e viajar pelo tempo. Há uma velha igreja, ou as paredes que dela restam, os vestígios de um palácio onde uma enorme sala nos recebe e nos deixa, da sua varanda, ter a melhor vista sobre a cidade de Leiria. E esta varanda deixa qualquer um maravilhado (e para os eternos romanticos, ali é um verdadeiro local de romantismo).

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A torre de menagem permite-nos ir ao ponto mais alto da cidade, deixando um imenso horizonte na nossa frente, espreitando por entre ameias que nos recortam a vista. Enquanto subimos vamos conhecendo pedaços de história que muito bem ali foram colocados como patamares, deixando qualquer visitante um pouco mais culto. Descendo do castelo, um museu e uma igreja romanica são paragem obrigatória.

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Pelo meu excesso de cansaço, deixei Leiria em direção a Coimbra. Mas, neste percurso pela nacional, passando por Pombal e Condeixa, fiquei tentado em rumar um pouco mais a este, voltando a Tomar, terra de tabuleiros e templários. Também tem um castelo possuidor de belos jardins e da famosa janela manuelina. Também tem praças e igrejas várias para serem vistas.

 

Coimbra irá ser sempre uma enorme paixão. Regalo-me sempre com o percurso desde o Largo da Portagem até à Universidade. Ali há um ar diferente que se respira, um ar de história e conhecimento. Em Coimbra há dois reis que repousam na Igreja de Santa Cruz, uma sé velha e uma nova. Há uma universidade com conhecimentos inumeros e de belezas tamanhas. Há ruelas e calçadas, jardins de sereias e escadas monumentais. Há musica e serenatas e a casa onde viveu José Afonso. Há um penedo de saudades, conventos e igrejas. Um Portugal em tamanho pequeno, a reliquia da Rainha Santa e a quinta onde se derramaram lágrimas. Coimbra é, para mim, um todo onde sempre se vai beber e renascer.

 

No percurso de Coimbra até Viseu (no meu caso mais própriamente São Pedro do Sul) há também inúmeros locais escondidos para visitar. Mas sobre esses locais, deixo para uma próxima viagem, para uma próxima "eu, o Seat e muitos quilómetros a fazer".

 

P.S.: As fotografias não estão grande coisa. Brevemente um post só com as fotografias tiradas neste mini viagem!

No rasto das estrelas!

por Ismael Sousa, em 17.08.17

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A astronomia foi um conhecimento que me foi ensinado, sem que eu buscasse aprendê-lo. Sem querer, ficou o "bixinho" dentro de mim.

Há noites que são fantásticase e este pedaço de rocha que habitamos num Universo tão imenso, não pára de rodar.

Este é o registo de 1hora e 50minutos do movimento de rotação da terra sobre si. O local é o alto da Serra da Freita, em São Pedro do Sul, onde as estrelas passam a ser mil vezes mais, onde a Via Láctea nos impressiona ainda mais.

Info Técnica:

110' (220x30")

ISO 400

f/ 3.5

Montagem realizada com 'Startrails'!

Fé ou Tradição!

por Ismael Sousa, em 16.08.17

Há costumes, hábitos, tradições que, por mais que os tempos mudem, se vão perpetuando pelo tempo. Retomar ou simplesmente manter é, em algumas vezes, o propósito de vida de alguns. Outros tantos, por vezes, movem-se pela fé, por aquilo em que acreditam.

 

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Há uma aldeia fantasma, perdida nos vales da serra, onde o acesso é dificíl, tendo como única forma de chegar, as pernas. Os carros não chegam à aldeia, o caminho é cheio de pedras lisas e gastas pelas chuvas e pelos inúmeros pés que galgam aquela estrada. Nesta aldeia, da qual já aqui falei, não vive gente. Visitada pelos que ainda têm lá alguma coisa ou pelos escuteiros que vão dando vida aonde reina o vazio, a aldeia vai perdurando pelos tempos. Mas há um dia do ano em que a aldeia fantasma deixa de o ser e as suas ruelas de pedras de xisto são povoadas por inúmeras pessoas que ali se agregam para, junto da pequena capela da aldeia, assistirem à missa da padroeira, a Senhora da Assunção.

 

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Este ano, pela primeira vez, desci à aldeia (pela segunda vez na minha vida) para participar da Eucaristia e animá-la. Não sei se seriamos uma centena de pessoas, mas deveriamos ser quase. A pequena ladeira encheu-se de gente, sentada em muros e no chão. O órgão estava ligado a um pequeno gerador que os escuteiros lá têm. As pessoas, movidas por curiosidades ou apenas tradição, quiçá fé, seguiram como de costume atrás dos pequenos andores, ornados com as mais belas flores. Ladeira acima até ao cruzeiro, ladeira abaixo de novo para a capela. Um volta à capela e a tradição está mantida.

 

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Depois da missa foram-se estendendo mantas, abriram-se os farneis e por ali se almoçou. Ganhar forças para de novo subir a serra, voltar ao frenesim do dia-a-dia. Há um dia no ano em que todos, movidos pelos costumes e raízes, ainda que secos, voltam àquela terra de onde já todos desertaram. Quem saberá o que os move? Há algo que sempre faz voltar.

 

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Drave: paraíso no vale

por Ismael Sousa, em 17.04.17

Perdida onde se cruzam as serras da Freita, Arada e São Macário, encontramos uma pequena aldeia. Sem estradas alcatroadas, sem luz e abandonada, Drave mostra-se ao mundo através dos olhos de quem lá vai. Praticamente em ruínas, sem nenhum habitante, a aldeia da Drave é um local paradisíaco, onde a natureza abunda, o riacho corre livremente, os rebanhos pastam a seu bel prazer, os animais vivem numa imensa liberdade.

De difícil acesso e sem melhor maneira para se ir a não ser a pé, Drave encontra-se escondida, mesmo para quem passa nas estradas que a circundam de longe. Sem sinaléticas, é um local onde só vão os aventureiros ou aqueles que, de uma ou outra maneira ouviram falar. Ou pela aldeia de Regoufe, que dista a 4 km, ou pelo alto da serra, a caminhada é por caminhos de terra. Envolvida na flora abundante da serra, de arbustos rasteiros de carqueja, Drave apresenta-nos, num fim de tarde, uma aldeia castanha, em que as casas são todas da mesma cor. Não de cores comuns, nem das casas que normalmente vemos, mas de casas de pedra de lousa e telhados de xisto. A pequena capela é a única que se destaca, pela sua cor branca, caiada. Atravessamos o pequeno riacho e entramos naquela fantástica aldeia. As paredes grossas, as eiras toscas, as janelas abertas. Não há residentes, vizinhos. Somente o silêncio ali se pode encontrar.

Fantasma, a pequena aldeia da encosta tem vindo a ser reconstruído pelos Escuteiros, que ali vão aos fins-de-semana, em atividades ou simplesmente para manutenção. As casas que se encontram restauradas é um trabalho realizado pela Drave Scout Centre, mantendo toda a linha original, respeitando o espaço que a envolve. As noites que lá passam são iluminadas por velas e candeeiros. Há trabalho a fazer, locais para manter. As portas não têm fechaduras. O único pedido deste grupo de escuteiros pede é que nada seja retirado, que nada seja vandalizado. No rio corre água límpida e fresca. Pode descansar-se debaixo de uma árvore, sentar-se a admirar a paisagem verdejante. Drave é o local indicado para se ir quando a vontade de estar em contato com a natureza nasce. Uma caminhada, um local de descanso. E para terminar o dia, nada como voltar a subir a serra e admirar o fantástico pôr do sol que se esconde nas encostas da serra.

 

 

Para mais info, passar aqui!