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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

O que é o amor?

por Ismael Sousa, em 16.07.18

Acho que nunca percebi bem o que é o amor. Aprendi sobre ele, em tantos e variados momentos da minha vida, mas acho que nunca o compreendi muito bem, ou melhor, nunca o entendi.

Sempre que falo em amor, na minha visão do que ele é, compreendo sempre, nas minhas palavras, que o amor deve ser a dádiva a outra pessoa. Que deve fazer-se renascer a cada momento que passa, a cada dia, cada mês, cada ano.

Sempre compreendi que no amor temos que ceder e marcar posição. Que não deve ser só uma parte a ceder, mas ambas. Sempre percebi e entendi que no amor se sofre: não uma dor física ou uma dor provocada pelo outro. Mas sim aceitar e viver a dor que a outra parte sente, mesmo que pareça ridícula.

Houve alguém que disse uma vez: “se eu tivesse amnésia, apaixonar-me-ia por ele todos os dias.” E para mim, nesta minha sabedoria parva e tentativa de compreender algo que acho não conseguir ter esclarecido na totalidade, isto é o verdadeiro amor: fazer cada dia como se fosse a primeira vez.

Sou um lobo solitário sem ninguém com quem partilhar os meus dias, e por essa razão vou sendo, em muito, diário de outros. Tenho visto muitas coisas e não consigo perceber como é que alguém que está numa relação não consegue fazer mais por ela, aproveitar cada segundo com a pessoa que se ama, lutar para não a perder.

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Continuo a achar que o ser humano está cada vez mais centrado em si próprio, querendo que o mundo gire em seu redor do que em redor de outrem. Eu continuo a ser contrário a esta regra que me salta à vista e continuo a desejar que a minha vida gire em torno de alguém.

Amar é das coisas mais belas. Chego a esta conclusão por diversos fatores, mas também como síntese de muitas das minhas leituras. O homem procura amor mas não é capaz de se entregar ao amor. O homem procura ser amado, mas não quer amar. A ideia do geocentrismo perdeu-se há vários séculos. Mas há vários séculos que se criou o egocentrismo. O eu está a cima de tudo, independentemente da forma como se conquista essa posição. As pessoas dão mas não se dão.

Há a dor de não se ser amado, a mágoa de algum amor. E porque se passou por isso uma vez, tende-se a fechar-se o coração e a pensar somente com a razão. E a razão é instinto animal e como os animais deixamos de fazer amor passando a fazer-se sexo. Já não há amor mas relações , mas o uso de alguém para satisfação de si.

Sempre existiram pessoas Alfa. Hoje todos querem ser alfa rejeitando a ideia de se ser uma outra letra do alfabeto grego. Queremos mas não damos, esperando sempre só receber. Talvez se tenha esquecido o verdadeiro significado da palavra dar, substituindo-a por descargo de consciência.

É das coisas mais difíceis o sair-se de si em busca do outro. É uma espécie de subjugação ou humilhação perante o outro. Mas sair-se de si em prol de outrem é uma das características do amor. Hoje amam-de objetos e locais mas não se amam pessoas. Hoje ama-se de mais aquilo que não pode retribuir amor.

Compreendo e aceito na sua perfeição que o amor não é fácil. Mas amar nos primeiros dias também nunca foi difícil. Parece-me que se ama até determinado momento, mas depois vive-se, acomodado, ao lado de alguém. E achar-se que esse alguém é nosso por direito é matar o amor; tratar essa pessoa de forma má só porque achamos que ela nunca nos vai abandonar, é matar o amor. E o amor deve ser algo que se rega todos os dias e não que se arranca para não impedir que o ego cresça.

“Amar dói: se não doer não é amor”! Escrevi estas palavras um dia percebendo, à posteriori, que poucos foram aqueles que compreenderam a verdadeira essência desta frase. Amar dói porque sofremos com alguém, obriga-nos a sairmos da nossa praia, a lutar em cada novo dia.

Se amar é a coisa mais bela, porque desperdiça o homem esse dom? Se amar é a coisa mais bela, porque matamos este sentimento? 

Cabeça Falante

por Ismael Sousa, em 22.01.18

Aconteceu. Finalmente aconteceu. A 'Cabeça Falante' já anda por aí.

 

O convite surgiu há uns meses, por parte o meu grande amigo Amaro Rafael. Aconteceu, como sempre acontece. Desafia-me, faz-me reescrever-me. Pediu-me um texto, uma pequena participação para uma fanzine que iria publicar. Receei por longos dias. Que iria escrever, sobre o quê? Seria eu capaz de estar à altura daquele desafio, iria ele gostar, iriam as pessoas gostar?

 

Escrevi. Apaguei. Voltei a escrever. Li, reli e voltei a ler. Corrigi. Mandei a primeira versão, depois outra corrigida e mais um pequeno acrescento. Estava feito. Dentro de mim nascia, a cada dia, a ânsia de ter na minha mão aquele que seria o meu primeiro texto livre publicado. Depois voltaram novamente os temores. Ele ia-me dizendo nomes e eu sentia-me cada vez mais pequeno, receoso. Mas já estava.

 

Depois surgiu o segundo convite, o de fazer a receção aos convidados. Só poderia aceitar, seria impossível dizer-lhe que não. E os nervos aumentavam ainda mais.

 

Este domingo, dia 21 de janeiro do ano de 2018, foi o dia do lançamento. Sobre isso não irei falar, pois já podem ler uma pequena resenha sobre o dia no Des i.

 

Foi enorme a emoção que senti ao estar ali, com a fanzine na mão, o meu nome na capa. Tremia como varas verdes. O início de um sonho estava ali. Mas não era o único sonho que ali estava. A música é, também, um dos meus grandes amores. E ali estava eu, prestes a começar um mini concerto com a minha querida Lígia. Começámos com Rosa Sangue, fomos Loucos de Lisboa, cantamos No Teu Poema e acabámos com Solta-se o Beijo. Tremeu e falhou a voz, uma ou outra vez o tom. Mas diverti-me imenso, naquele mini concerto tão intimista, perante tanta gente desconhecida e tanta gente conhecida.

 

Depois foi altura de subir a palco, de falar sobre o meu texto.

«'Amei-te eternamente' não é só mais um texto, mas é uma alma que fala pelas palavras, que inventa e reflete realidades. É um inicio de uma tentativa de derrubar tabus e falar aquilo que o coração sente e a mente oprime.

Escrever não é somente colocar palavras seguidas de palavras. Escrever é, na minha humilde opinião, transpor por palavras aquilo que tanto sentimos. É um esconder entre linhas sentimentos que são tão secretos.

Existem sonhos na alma, metas que desejamos atingir. Hoje inicia-se este sonho, é a rampa de lançamento.

Amei-te eternamente é um amor que fica para sempre. Amei-te eternamente é a força que não me deixa morrer. Amei-te eternamente...»

 

Neste momento sinto-me muito grato e vou usar as palavras, que me correm nas veias e fazem palpitar o coração, para agradecer.

 

Primeiro agradecer ao meu Amaro Rafael pelo convite, pela forma sempre honesta com que me critica os textos, pela força que me dá, por querer sempre que eu me lance do precipício em busca de novas aventuras. Agradecer pela sua grandeza, pela sua força e pelo ser enorme que é.

Agradecer aos meus pais pela presença, por sempre estarem lá, por me deixarem ser o louco que tanto sou. Obrigado por nunca desistirem de mim mesmo quando eu tanto desiludo.

Agradecer à Lígia pela enorme amizade, por se ter lançado no desafio de cantar comigo, quando a sua voz é tão grande, tão maior que a minha. Obrigado por tudo! Obrigado ao Jorge por ter aceite o meu convite e dar um enorme brilho ao momento.

Agradecer à Patrícia, ao Cristian, ao Pedro e ao Zé Carlos por estarem neste momento tão importante para mim. Sabem o quanto significam para mim.

Ao meu irmão por estar, mesmo quando somos tão diferentes, quando nos zangamos e temos opiniões tão diferentes. Mas também por todo o amor.

Aos abraços que me deram e às palavras que me dirigiram. Agradecer, também, a todos os que me leem, mesmo que invisíveis. Obrigado por lerem este louco.

Obrigado a todos que suportam a minha loucura, tantas vezes sem me entenderem. Obrigado do fundo do coração.

'Amei-te eternamente' é o início.

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