Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Espero por ti...

por Ismael Sousa, em 10.08.18

Deambulo pelas ruas em busca de ti. Eu sei que tu não estás, mas todo o meu ser deseja encontrar-te. Vejo-te, agora, só na minha mente. Recordo com imensa intensidade o teu cheiro, o teu sorriso, a tua voz. Falta-me o calor do teu corpo junto ao meu.

 

Na minha memória guardo, com todas a minhas forças, cada momento passado junto a ti: as conversas que tivemos, os locais que visitámos, os beijos que roubámos.

 

Estou só: vive um corpo perdido sem ti. Na minha mente ecoam as perguntas de como estarás, se sentirás a minha falta e o quanto eu gosto de ti.

 

Abate-se, de uma forma intensa, sobre mim a saudade que tu me deixas.

 

Tão pouco tempo e um sentimento tão grande que transborda de uma forma que eu não consigo explicar. Falta-me as palavras, falta-me a vontade, abundam as lágrimas.

 

A distância é algo que nos atormenta, algo que se nos impõe sem que o desejemos. Um teste, talvez.

IMG_9310.jpg

 

Já não moram sorrisos neste rostos, já não resido aqui. Estou perdido e sem rumo e tu faltas para me orientar.

 

Há a esperança que ainda arde por te voltar a ter em meus braços, por sentir o sabor dos teus lábios. O meu coração palpita, as lágrimas não me abandonam. E eu... aqui, perdido em pensamentos, deambulando como morto pelas ruas, sem vontade de aqui estar.

 

Morro a cada minuto que passa, a cada quilometro que aumenta. Só eu sei Que morro por não te ter, por não saber quando voltarei a teus braços...

 

Espero por ti, nem que a chuva caia abundantemente.

 

Espero por ti, nem que as lágrimas consumam todo o meu ser.

 

Espero por ti até ao fim...

Encruzilhada

por Ismael Sousa, em 02.08.18

Seria um fim de tarde perfeitamente normal, aos olhos dos que percorriam as ruas da cidade.

 

O rio corria na sua calma que lhe é tão característica, dividindo-se por entre os pilares da histórica ponte. O sol caiava de laranja todo o espaço que percorria, espelhando no rio as árvores e arquiteturas mais próximas. Voavam andorinhas no ar, livres e ao sabor da pequena brisa que se fazia sentir. Uma tarde perfeitamente normal, um fim de tarde como tantos outros, num dia comum.

 

Junto ao varandim, de ferro gasto pelo tempo, expectador de tantas histórias de amor, de tantas lágrimas e desesperos, encostava-se alguém, com o coração apertado e o olhar perdido na imensidão do infinito. O mundo corria, sempre, indiferente. Sentava-se, voltava a levantar-se. E de novo se sentava, os óculos de sol a girar sobre os dedos, a cabeça pousada na palma da mão. Fervilhava cada milímetro do sistema nervoso. Percorriam-lhe os pensamentos pela cabeça, como seria, como não haveria de ser. O coração palpitava no peito, quase que saltando-lhe pela boca. Reviravam-se-lhe todas as entranhas, o medo e a ansiedade tomavam conta dele.

 

O tempo passava de forma lenta e acelerada ao mesmo tempo. Um miscelânea incapaz de ser compreendida, uma tempestade de sentimentos. O rio continuava calmo, o sol tornava-se cada vez mais vermelho. Circulavam gentes, voavam andorinhas. Uma voz, atrás um salto no coração. Levantou-se, corou, os nervos aumentaram.

 

Vieram as primeiras palavras ditas ao acaso, num cumprimento cordial e sem qualquer sentimento aparente. Só ele sabia o quanto estavam carregadas de sentimentos aquelas primeiras palavras. Depois, calmamente, veio o abraço apertado, o abraço que acalma, que não deveria ter fim, somente princípio e entretantos.

 

Passaram o rio ainda com tão poucas palavras ditas e com tanto ainda por dizer. Um café, uma esplanada, um coração que era agora paz.

 

É incompreensível a razão que faz o coração palpitar assim, de uma maneira estranhamente estranha. Há borboletas no estômago que só conhece quem sente.

 

O sol brilhava de uma forma especialmente especial. Viviam-se vontades e sentimentos, coisas que quase ninguém conseguia perceber.

 

Cada traço, cada olhar, cada pequeno gesto era agora percetível. A verdade estava ali, na sua forma mais pura. Houve a ânsia, o nervosismo, mas naquele momentos só a calma. A tempestade transformara-se em bonança, a calma o reflexo do nervosismo. O rio corria calmo, o sol quase que se pusera e já não notava se havia andorinhas pelo ar.

 

Num olhar comum, tudo seria normal. No coração tudo era diferente e especial. A estranheza acabara, a verdade revelara-se. As horas já eram galopantes, saltando de dez em dez minutos, fazendo passar o tempo na metade daquilo que se pensava na realidade.

 

A magia que existia no ar, a magia que existia nos sentimentos. Um coração palpitante e ansioso, era tudo o que havia para dar. Por entre os abraços e os beijos, as mão unidas ou os braços apertados, viveu-se num mundo de magia, aparentemente normal.

 

Depois, depois cresceu a saudade numa forma muito maior. Cresceu o sentimento em tudo aquilo que a vida tem para dar. Teme-se o futuro mas existe a vontade de lutar. E num amanha ainda maior e mais persistente, a vida não deixa de ser vivida. O sentimento e a saudade, de mãos dadas, vão crescendo cada um na sua medida. Um cresce para nunca acabar, o outro para se ir diminuindo cada vez mais.

 

Um coração que no silêncio e no desconhecido palpita por alguém lá longe, por amores conhecidos.

 

Este sentimento que cresce e vive, este sentimento que não deixa de existir. De tantas leituras ainda não se conseguiu encontrar forma mais bela para se descrever aquilo que se sentiu. Os sentimentos escrevem-se mas não se explicam no papel nem em palavras. Somente sentindo e proferindo palavras verdadeiras que correspondam aquilo que se sente.

 

A noite, a maior amiga e a maior inimiga dos amantes, chega e destrói. Mas existe sempre algo que perdurará no tempo, haverá sempre algo guardado em memórias, essas que são e serão sempre maiores que as palavras que se escreve um dia.

 

E no silêncio da noite, na escuridão de um quarto, ainda se sente o seu cheiro.

 

 

O homem discriminado!

por Ismael Sousa, em 29.08.17

Toda a gente fala do assunto. Todos imitem a sua opinião sobre o tema. Os livros da Porto Editora são o assunto mais falado nesta última semana.

 

Não conheço os livros, nunca tive com nenhum na mão. A única coisa que sei sobre eles é aquilo que leio na blogosfera e nas noticias que leio pela manhã.

 

O que tenho constatado é que o rosa já não é mais uma cor feminina e que o azul não é uma cor masculina.

 

Não sou perito em nada, não tenho nenhum curso que me possa dar as faculdades necessárias para avaliar seja o que for. A única coisa que tenho é experiência de vida (sim, apesar dos meus 27 aninhos, tenho vivido mais que aquilo que pensam)!

 

Um dos temas mais badalados desde o século passado é a igualdade de direitos entre homem e mulher. E eu, com todo o respeito que tenho por estes seres, não podia estar mais de acordo que as mulheres tenham os mesmos direitos que um homem. Se um homem pode ser camionista, uma mulher também pode. E se for eficiente, que tenha tanto direito a ser contratada como um homem. Se uma mulher pode ser dona de casa, um homem também o poderá ser. O tempo em que a mulher ficava em casa e o homem trazia o sustento, já lá vai. Hoje, mulheres e homens, são o sustento.

 

Nasci num tempo em que as coisas eram diferentes dos dias de hoje. Eu brincava na rua, via desenhos animados, via filmes. Fazia as lides domésticas, ia à escola e construía cabanas em cima de árvores. Vivíamos na rua e os pais ralhavam-nos por andarmos até tarde na rua com os amigos. No meu tempo líamos livros, jogávamos à macaca e ao lencinho. Saltávamos à corda e brincávamos ao elástico. No meu tempo, duas pedras eram os postes das balizas e a bola andava nos pés. Todos jogávamos independentemente de sermos bons ou não (e eu que sempre tive dois pés esquerdos). No meu tempo era diferente, mas saudosismos não nos levam a lado nenhum.

 

Os dias que correm são diferentes, pela evolução lógica da natureza. Se existe evolução normal é que as brincadeiras e formas de vermos o mundo também sejam diferentes. Ninguém quer voltar aos anos 90 (no meu caso) e um futuro melhor está sempre ao vislumbre da nossa imaginação.

 

Mas com a evolução dos tempos está inerente a evolução da mentalidade. Mas nisto, em questões de mentalidades, parece-me que estamos num processo de retroversão. Não avançamos mas regredimos.

 

Hoje qualquer palavra é ofensa, qualquer forma de ver é repugnante. Preocupamos-nos com questões que são mais irrelevantes que a queda de uma folha. Que importa se o rosa é a cor ou não das raparigas e o azul a cor dos rapazes? Que importa se há um livro azul que diz "exercícios para rapazes" e outro rosa que diz "exercícios para raparigas"? No meu tempo não pensávamos nisso, os pais não pensavam nisso.

 

"Uma questão de justiça" podem afirmar. Mas enquanto se preocupam com questões de igualdade, não se preocupam com questões de dignidade. Uma parte do meu trabalho é lidar com crianças. E quando elas entram por esta porta dentro, para brincarem, não pensam se esta ou aquela brincadeira é para meninos ou meninas. Brinca-se em conjunto. E eu, na minha formação e contínuo interesse pela área psicológica, vou fazendo as minhas avaliações particulares. Há crianças que carecem de atenção, crianças que não têm uma vida fácil. Há crianças que têm tudo e outras que pouco têm. Mas no mundo deles, onde fantasiam, isso é esquecido.

Resultado de imagem para brincadeiras de rua

 

A maior necessidade, para mim, é formar bem estes pais, filhos da libertinagem, que não se preocupam em dar uma boa educação aos filhos, mas "sustenta-los". Não se incutem valores, não se incute educação. As crianças nascem ao "deus dará" aprendendo aos encontrões com a vida. Não há "obrigados" nem "desculpas", somente o eu e eu. Filhos da libertinagem, libertinos serão. E o homem que cria o mundo, destrói-o também.

 

Falamos em igualdade, mas esquecemos-nos que não há igualdade. Os homens têm de continuar a ceder passagem a uma senhora, a serem "cavalheiros" (e aonde é que já vai esse código de honra), têm de continuar a mimar as mulheres. Mas nisso não se fala em igualdade. As mulheres têm muito mais aceitação e concretização no mundo do trabalho que o homem. Já não se pedem colaboradores (o termo certo com que a nossa língua sempre definiu os dois sexos em conjunto) mas colaboradorAs. Precisam-se de empregadAs de mesa, de balcão, de colaboradorA para isto e para aquilo. Qualificadas ou não, acabam sempre por ficar com o lugar, porque se não é descriminação, há processos e afins.

 

Vivemos do avesso e numa igualdade falseada. O homem passou a submisso. Talvez lhe seja bem feito pelos anos em que se armou em superior. Infeliz de mim que nasci homem e tenho de lutar por tudo.

 

P.S. - Às mulheres da minha vida, às minhas colegas, todo o respeito e admiração que tenho por vós!

De onde sou?

por Ismael Sousa, em 23.08.17

Vivemos num mundo onde a diversidade é enorme. De um país para o outro, mesmo lado a lado, a diversidade cultural é tão diferente que mesmo sem linhas traçadas podemos reconhecer cada país pela sua cultura.

 

Com toda a normalidade, quando conhecemos alguém, é natural perguntarem-nos de onde somos, numa tentativa de reconhecer origens. Eu, na minha maior brincadeira, tenho por hábito dizer que sou do mundo. Do outro lado surge sempre um sorriso, mas do lado de cá a nostalgia de me ver preso a raízes que tanto me dizem mas que não me completam por completo.

 

Sou do mundo é uma resposta vaga. Mas na verdade diz tanto. Sou do mundo porque há coisas no mundo que se pudesse agregá-las num só país, seria o país de Ismael.

 

Sou português, com orgulho e acho este país onde nasci e cresci, uma das maravilhas escondidas do mundo, plantado à beira mar, com tanto para descobrir. Somos o povo que com mais facilidade aprende línguas, o povo da sardinha e do vinho do Porto. O povo do folclore, do bailinho. Temos as touradas, temos monumentos, temos serras e praias. Temos doces e gastronomia sem igual. Temos o Fado, a história. E acreditem que sinto isso tudo em mim.

 

Mas também sinto em mim o sangue quente dos espanhois, as cores espanholas, o flamenco, as tradições. Amo as tapas, mas falta-me o café. Sou fã da siesta e das horas de esplanada e da vida que os espanhois têm inerentes a si.

 

Sou português e gosto do francês, pelo romanticismo da língua, pelo enorme gosto pelas artes. Sou português mas faltam-me as óperas italianas, a moda italiana, a lingua e os monumentos e religiosidade e o carnaval de veneza. Sou português mas faltam-me os musicais ingleses, a cultura e estilo de vida inglês.

 

Falta-me a influência muçulmana, nas decorações e formas de vestir. Faltam-me os russos pelos palácios e literatura. Falta-me tanta coisa que sinto-me mais incompleto do que completo. O mundo tem uma diversidade enorme e nunca serei capaz de absorver tudo quanto gostava. Sou multicultural e não me deixo prender por raízes. Um dia vou explorar o mundo da maneira que desejo. E no fim, quando tver vivido tudo, voltarei a querer viver novamente!

Competitivos por natureza!

por Ismael Sousa, em 22.08.17

É terça-feira: mais um dia de agosto, mais um dia de trabalho. Três crianças no espaço lúdico, raparigas por sinal.

 

Acabei de publicar num dos blogues e dou comigo a observar as estatiscas dos mesmos. Ao mesmo tempo que eu me perco em estatísticas de blogues, as três meninas competem entre elas. Uma quer fazer assim, outra quer fazer assado. Uma não quer que a outra faça, a terceira faz tudo como quer. E berros e amuos constantes fazem parte do meu dia.

 

Com esta competição entre elas, comigo a ver estatísticas, recai sobre o meu pensamento a simples frase: estamos sempre em competição. Queremos alcançar o sucesso de várias formas, sermos aceites e notaveis na sociedade. É um pensamento comum e geral a todos e não me venham com cântigas, mas de uma ou de outra maneira, queremos ser "vistos" e notados pela sociedade.

 

Não escrevo nos blogues de forma a ter sucesso ou a ser conhecido. Somente de forma a demonstrar a minha opinião ou, como na grandíssima maioria dos casos, encher a internet com textos de minha autoria, permitindo a quem os quiser ler, uma forma de fácil acesso.

 

Todos desejamos sucesso em algo: uns no trabalho, outros na realização pessoal. O sucesso é-nos incutido por natureza. Enquanto crianças vivemos esta competição/sucesso com o "o meu é melhor que o teu" ou o famoso "eu é que sei". Na adolescência com o "tive melhor nota que tu". Na juventude e em fase adulta, deixam-se as palavras de lado e demonstra-se com atitudes e posses. Acho que, somente quando chegamos a velhos é que deixamos de competir. E só alguns, porque outros competem até ao último dia de vida (e não achemos que a sueca e o dominó ou as damas são competição!).

 

Há pessoas mais humildes que outras, que apesar de necessitarem de se sentirem realizadas, não se vangloriam pelas coisas que alcançam. Outros fazem sempre questão de esfregarem na cara dos que o rodeiam esse facto.

 

Vejamos: os políticos competem entre si sobre quem deixou melhor (ou pior) o país, municipio, associação; nas empresas é para ver quem é mais querido pelo patrão; no campo, quem teve mais tomates ou cebolas, melhor vinho ou melhor colheita. Os filhos que serão sempre melhores, o irmão que será sempre a estrela. Uns têm que lutar pelo sucesso, outros é-lhes nato esse sucesso.

 

No passado domingo assisti a um desfile. Qual o meu espanto quando uma certa pessoa estava em cima de palco. O meu pensamento? Logo de revolta. Senti que não era justo, bla bla bla. Agora, dois dias depois, tenho em mente uma das maiores verdades de sempre: a vida não é justa. Mas de nada me vale odiar e ficar irritado por essa razão. Cada pessoa tem direito ao seu sucesso e isso incomoda muito as outras pessoas. Mas todos procuramos o sucesso, procuramos aquilo que nos torna competitivos. Depois o que fazemos quando o alcançamos já faz parte da essência de cada um.

 

Conheço pessoas que alcançaram o sucesso, que foram competitivas a um nível saudável, e que quando lá chegaram, continuaram a ser as mesma pessoas que eram antes. Outras, sentiram-se superiores e deixaram aqueles que estiveram a seu lado esquecidos, calcaram muita gente.

 

A vida terá sempre duas faces: o bem e o mal. Tão inevitavel como o sol "nascer" todos os dias. Cabe a cada pessoa ser ou não, boa na sua essência. Cá eu, continuarei a perder-me por estatísticas, tentando alcançar algum sucesso. Continuarei nas minhas escritas, mesmo que aquilo que escrevo seja página perdida na internet. Continuarei a ser eterno amante, mesmo sem correspondência. Eterno sonhador, mesmo sem sonhos.

 

Para hoje fica este pequeno pensamento que vale o que vale. Continuação de boa semana e votos de muito sucesso!

 

P.S.: No dia em que chegar ao topo eu depois digo-vos, ok?

Diga não à autoestrada, conheça o nosso país!

por Ismael Sousa, em 21.08.17

As redes de autoestradas são um meio fácil e rápido de acesso entre vários pontos do país. Fácilmente entramos e saímos perto do local que desejamos, viajando a um velocidade mais confortavel, sem semáforos e limites de velocidade ridículos. Vamos de um ponto ao outro do país sempre sem parar. A paisagem é sempre a mesma, sem grandes diferenças: mato, mato e mato. Tirando as grandes metrópeles, esta é a vista que se tem durante uma viagem numa autoestrada. Mas para quem, neste fim de mês de agosto e final de verão, ainda for gozar umas férias, diga NÃO às autoestradas.

 

Sempre gostei de andar de um lado para o outro, parar aqui e acolá. Irritam-me as viagens diretas, em que saímos de um ponto, fazemos uma carrada de quilómetros somente para ir sair num outro ponto. E o que está no meio? Ninguém sabe! Mas quando a pressa aperta, lá tenho que ceder a fazer rodagem em alcatrão de autoestrada.

 

E este fim-de-semana foi assim. O caminho para as Caldas da Raínha foi feito pelas várias autoestradas que se tem de percorrer para lá chegar. Foi uma viagem de descida (territorial) apressada e com algum nervosismo à mistura (mas quanto a isso, nada a fazer). Rodou o pimba durante toda a viagem, misturado com o latino e o cigano. Diga-se de passagem que a viagem foi horrível, cuja única paragem foi no McDonald's de Tomar para recarregar baterias e ter a força física (e mental) necessária para chegar ao destino.

 

A zona das Caldas da Rainha é, para mim, sempre um bom local de descanso. O Oeste tem coisas fantásticas, permitindo-nos recarregar baterias com muita facilidade. Apesar de este fim-de-semana não ter passeado por aquela zona, no ano passado tive o previlégio de ir conhecendo aquela zona. Ali há muito para ver e muita história para saborear. E não precisamos de passar muito tempo enfiadinhos (tipo salsicha enlatada) dentro del coche!

 

Começando pelas Caldas da Raínha, que até nem parece ter grande coisa para visitar, podemos perder-nos pelo parque Dom Carlos I, onde nos podemos perder por entre um verde abundante, um lago ladeado por uma velha instancia termal, mais o Museu José Malhoa e um café fantástico (tanto em decoração como em serviço). Tem praças e Bordalo Pinheiro por todos os lados, uma praça de touros e ruelas cheias de vida.

 

Deixando as Caldas da Rainha para trás, temos a poucos quilómetros o famoso Bacalhôa Buddha Éden, onde se podem perder várias horas a passear por entre budas, soldados e fabulosas peças de arte, rodeadas por uma enorme mancha verde e um lago que nos dá vontade de mergulhar.

 

Óbidos é também paragem obrigatória e fica ali bem pertinho. Mas antes ainda há uma velha e imponente igreja, no Senhor da Pedra, que deixa qualquer admirador de arquitetura maravilhado e apaixonados os amantes de arte sacra. Em Óbidos há uma imensidade de coisas para ver, desde livrarias em que as prateleiras são caixas de fruta ou uma outra dentro de uma antiga igreja. Há a muralha e a ginja. Nas costas de Óbidos há uma lagoa e a poucos quilómetros Peniche com tanto para oferecer.

 

Bem, mas comecei este texto falando das autoestradas porque, na volta das Caldas da Raínha, decidi nem percorrer um metro de autoestrada. Arriei (como se diz por estas bandas) caminho por estradas nacionais e, há semelhança de um ano atrás, visitei aqueles espaços em que até as pedras da calçada são históricos.

 

Passando ao lado de São Martinho do Porto (outro local que merece sempre uma visita), a minha primeira paragem foi em Alcobaça. O mosteiro estava fechado (e já o visitei), mas no grande adro em frente, uma feira de velharias. Contudo Alcobaça não se fica só pelo mosteiro, pois a zona que o rodeia também é digna de ser vista. Há casas com azuleijos, túneis afontanados. Ali respira-se história.

IMG_5053.JPG

 

IMG_5056.JPG

IMG_5057.JPG

IMG_5074.JPG

IMG_5079.JPG

 Alcobaça ficou para trás e o meu próximo destino foi Fátima. Contudo, no caminho de Alcobaça até Fátima, podemos visitar locais como o Mosteiro da Batalha, os campos de batalha de Aljubarrota, entre outros locais que as setas castanhas nos vão indicando.

Contornando o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, chega-se a Fátima. Mas para aqueles que Fátima é um local indiferente, existe sempre a possibilidade de se visitarem as grutas que são de uma beleza estonteante. E que tal aquela sensação de estar "dentro" da terra?

 

Rumando a norte, parei em Leiria para visitar aquela cidade uma vez mais e conhecer o Castelo lá no alto. Leiria tem em si parques e praças, ruas catitas e pintadas. Mas tem também uma Sé que deixa qualquer um mergulhado numa enorme paz. Tem um fantástico órgão de tubos e telas dignas de serem vistas. A Igreja da Misericórdia é também local de paragem obrigatória, não pela sua imponência mas pela beleza e simplicidade a ela aliada. Lá no alto, imponente, as muralhas do velho Castelo. 2,10€ de entrada para uma enormidade de ruínas que levam a nossa mente a imaginar e viajar pelo tempo. Há uma velha igreja, ou as paredes que dela restam, os vestígios de um palácio onde uma enorme sala nos recebe e nos deixa, da sua varanda, ter a melhor vista sobre a cidade de Leiria. E esta varanda deixa qualquer um maravilhado (e para os eternos romanticos, ali é um verdadeiro local de romantismo).

IMG_5118.JPG

IMG_5121.JPG

 

IMG_5125.JPG

 

IMG_5131.JPG

 

IMG_5136.JPG

 

A torre de menagem permite-nos ir ao ponto mais alto da cidade, deixando um imenso horizonte na nossa frente, espreitando por entre ameias que nos recortam a vista. Enquanto subimos vamos conhecendo pedaços de história que muito bem ali foram colocados como patamares, deixando qualquer visitante um pouco mais culto. Descendo do castelo, um museu e uma igreja romanica são paragem obrigatória.

IMG_5141.JPG

 

IMG_5159.JPG

 

IMG_5160.JPG

 

IMG_5202.JPG

 

Pelo meu excesso de cansaço, deixei Leiria em direção a Coimbra. Mas, neste percurso pela nacional, passando por Pombal e Condeixa, fiquei tentado em rumar um pouco mais a este, voltando a Tomar, terra de tabuleiros e templários. Também tem um castelo possuidor de belos jardins e da famosa janela manuelina. Também tem praças e igrejas várias para serem vistas.

 

Coimbra irá ser sempre uma enorme paixão. Regalo-me sempre com o percurso desde o Largo da Portagem até à Universidade. Ali há um ar diferente que se respira, um ar de história e conhecimento. Em Coimbra há dois reis que repousam na Igreja de Santa Cruz, uma sé velha e uma nova. Há uma universidade com conhecimentos inumeros e de belezas tamanhas. Há ruelas e calçadas, jardins de sereias e escadas monumentais. Há musica e serenatas e a casa onde viveu José Afonso. Há um penedo de saudades, conventos e igrejas. Um Portugal em tamanho pequeno, a reliquia da Rainha Santa e a quinta onde se derramaram lágrimas. Coimbra é, para mim, um todo onde sempre se vai beber e renascer.

 

No percurso de Coimbra até Viseu (no meu caso mais própriamente São Pedro do Sul) há também inúmeros locais escondidos para visitar. Mas sobre esses locais, deixo para uma próxima viagem, para uma próxima "eu, o Seat e muitos quilómetros a fazer".

 

P.S.: As fotografias não estão grande coisa. Brevemente um post só com as fotografias tiradas neste mini viagem!

No rasto das estrelas!

por Ismael Sousa, em 17.08.17

Startrail 17-08.jpg

 

A astronomia foi um conhecimento que me foi ensinado, sem que eu buscasse aprendê-lo. Sem querer, ficou o "bixinho" dentro de mim.

Há noites que são fantásticase e este pedaço de rocha que habitamos num Universo tão imenso, não pára de rodar.

Este é o registo de 1hora e 50minutos do movimento de rotação da terra sobre si. O local é o alto da Serra da Freita, em São Pedro do Sul, onde as estrelas passam a ser mil vezes mais, onde a Via Láctea nos impressiona ainda mais.

Info Técnica:

110' (220x30")

ISO 400

f/ 3.5

Montagem realizada com 'Startrails'!

Non Stop!!!

por Ismael Sousa, em 17.08.17

O blogue Des-i tem estado em alta. Há novas mini entrevistas com pessoas super fantásticas. Passem e leiam!

Sem Título.jpg

 

Fé ou Tradição!

por Ismael Sousa, em 16.08.17

Há costumes, hábitos, tradições que, por mais que os tempos mudem, se vão perpetuando pelo tempo. Retomar ou simplesmente manter é, em algumas vezes, o propósito de vida de alguns. Outros tantos, por vezes, movem-se pela fé, por aquilo em que acreditam.

 

IMG_4951.JPG

 

 

 

Há uma aldeia fantasma, perdida nos vales da serra, onde o acesso é dificíl, tendo como única forma de chegar, as pernas. Os carros não chegam à aldeia, o caminho é cheio de pedras lisas e gastas pelas chuvas e pelos inúmeros pés que galgam aquela estrada. Nesta aldeia, da qual já aqui falei, não vive gente. Visitada pelos que ainda têm lá alguma coisa ou pelos escuteiros que vão dando vida aonde reina o vazio, a aldeia vai perdurando pelos tempos. Mas há um dia do ano em que a aldeia fantasma deixa de o ser e as suas ruelas de pedras de xisto são povoadas por inúmeras pessoas que ali se agregam para, junto da pequena capela da aldeia, assistirem à missa da padroeira, a Senhora da Assunção.

 

IMG_4948.JPG

 

 

 

Este ano, pela primeira vez, desci à aldeia (pela segunda vez na minha vida) para participar da Eucaristia e animá-la. Não sei se seriamos uma centena de pessoas, mas deveriamos ser quase. A pequena ladeira encheu-se de gente, sentada em muros e no chão. O órgão estava ligado a um pequeno gerador que os escuteiros lá têm. As pessoas, movidas por curiosidades ou apenas tradição, quiçá fé, seguiram como de costume atrás dos pequenos andores, ornados com as mais belas flores. Ladeira acima até ao cruzeiro, ladeira abaixo de novo para a capela. Um volta à capela e a tradição está mantida.

 

IMG_4947.JPG

 

IMG_4949.JPG

 

Depois da missa foram-se estendendo mantas, abriram-se os farneis e por ali se almoçou. Ganhar forças para de novo subir a serra, voltar ao frenesim do dia-a-dia. Há um dia no ano em que todos, movidos pelos costumes e raízes, ainda que secos, voltam àquela terra de onde já todos desertaram. Quem saberá o que os move? Há algo que sempre faz voltar.

 

IMG_4950.JPG

 

 

O Pequeno Grande Polegar

por Ismael Sousa, em 14.08.17

Era uma criança tão pequena, com os dedos tão pequeninos que todos se chamavam mindinho. Era uma criança mais alta que as escadas, mais larga que as árvores e que de pé via toda a vila em seu redor. Era uma criança, que nascera para salvar uma aldeia, vinda de uma gravidez das costas para o seio de uma aldeia esquecida. Era uma criança que havia de partir, para a terra do era uma vez, onde a sua casa era feita de livros, o mundo o imaginário.

IMG_4599.JPG

 

 

Era uma criança que nascera numa aldeia, onde havia um casal com mais costas que barriga, uma velha que escutava as pedras, um velho que dava conselhos ao tempo, um Vagalume que arrancava os olhos para não ver desgraças. E numa predestinação a aldeia ia acabar. Até que nasce Polegar, pequenino mas maior que as casas. Mas na sua grandeza haveria de partir. Chegam os palhaços, de caras pintadas e sorrisos esboçados, subindo a escadas altíssimas. E em tamanha grandeza e pequenesa do pequeno que poderia ser bala para canhão humano, os palhaços deixaram os narizes e a felicidade reinou onde não havia réstia de sorrisos. Um nariz vermelho, uma pequena grande criança: uma felicidade que pode ser tão grande. "Se o Polegar chegar ao céu, vai brilhar como uma estrela. A lua levará um véu e o sol camisa vermelha. Pico, pico, sarrabico, espera aí que eu já lá vou. Eu aqui é que não fico que a festa já começou."

 

Foi no passado sábado, dia 12 de agosto, que em Vouzela nasceu o Pequeno Grande Polegar. Uma vez mais, o Trigo Limpo teatro ACERT leva aos locais do distrito um enorme espétaculo com os seus característicos bonecos gigantes. Depois de A Viagem do Elefante, o teatro de rua (sobre)vive com a história de O Pequeno Grande Polegar.

IMG_4734.JPGPara quem achar que é mais um espetáculo que se desengane. O Pequeno Grande Polegar, envolve novamente os habitantes dos locais que visita, num espetáculo grandioso, não só a nível de espaço e imagem, como também pelas músicas e textos. Para os mais atentos, O Pequeno Grande Polegar trás um texto delicioso, com vontade de se mastigar todas as palavras que são ditas. Há uma velha que escuta pedras, um velho que queria ir num caixão e que dá conselhos ao tempo. Há um tolo que diz dar estrelas e que tira os olhos para não ver as desgraças. Há um casal que dá à luz um filho e um circo que chega à aldeia. Há metáforas e analogias, narizes vermelhos e tantas outras coisas para descobrir neste teatro de rua. Há uma loucura associada que nos leva a voar agarrados a guarda-chuvas de multicores.

Há arte na rua, de forma gratuíta. A arte/cultura continua viva, só é necessário deixar-se envolver por ela. Depois de nascer em Vouzela, Pequeno Grande Polegar irá nascer novamente no Sátão e depois em Tondela. Não deixem de assistir e de viver, nem que seja só por uma hora, no mundo do era uma vez...

 

Mais info (aqui)!

Fotogaleria (aqui)!