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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Por amar, o que senti; por sentir, o que amei!

por Ismael Sousa, em 26.02.18

Percorro a mente na tentativa inevitável de encontrar justificações e razões para tanta coisa. É noite, o frio lá fora, o vazio no meu coração, a lágrima escorre.

 

Tentar compreender o mundo que me rodeia é, irremediavelmente, impossível. O mundo está em constante mudança, as pessoas não são mais aquilo que se dizem ser. Já ninguém quer conhecer interiores, avaliando tudo pela primeira imagem, por aquilo que se aparenta ser. Uns olhos bonitos, um corpo esculpido, cabelo farto e pouco conteúdo.

 

Jaz a noite, o ininterrupto pensamento constante. A fraqueza e o medo, o afastamento.

 

Perco-me como as aves que voam constantemente, como o vento que sopra indiferente. As paredes brancas do meu quarto, povoadas por memórias, afligem a minha mente, fazendo-me penetrar ao mais intimo do meu ser. Vejo esforço e incompreensão, o abuso de quem sabe como me manipular.

 

Olho o passado, o ser que era e o que sou. Sósias, um do outro. Tanto queria eu mudar, que nada consegui fazer.

 

Deambulo, perdido, pelas ruas da cidade eternamente amada por mim. Suspiro incompreendido, afastado e esquecido.

 

As imagens mais negras, o sentir mais odioso. As palavras, sempre as palavras. Gravadas a fogo no meu coração, cicatrizes eternas. Não as esqueço, nunca. Tudo dentro de mm é memória e aquilo que guardo não esqueço. Sei ainda as palavras, que posso prenunciar.

 

IMG_2549.JPGA prosa, a poesia, as palavras. Labirintos e poços, pasto que rumino durante semanas.

 

Sou a encarnação da fraqueza e da fragilidade. A personificação do amar eternamente e da solidão. Sou o abandono e a perda, sou a vergonha e a mansidão. Sou a face do pecador, daquele que não tem palavra. Sou tanto e aos olhos deste imundo mundo nada sou.

 

Quem sou eu na realidade, na verdadeira alma deste mundo que se revela a meus olhos tão diferente daquilo que ambiciono ser. A diferença e a inadaptação.

 

E as pombas que esvoaçam num céu eterno, conhecedoras do ódio que sentem por si, olham-me com desdém.

 

E escrever tudo aquilo que sinto torna-se impossível. Transparecer aquilo que sinto, uma fragilidade. Não se ama, não se respeita. Usa-se como instrumento, indiferente a vontades, sonhos, sentimentos.

 

Somente as palavras, as que leio e que escrevo, conseguem dar vida a este corpo inanimado que jaz pelos cantos.

 

Mortifico-me, critico-me, esperançoso de me corrigir, de tentar ser melhor. Mas a melhora neste mundano espaço onde vivo parece ser totalmente diferente daquela que as minhas entranhas gritam ser. Revoltam-se-me os interiores, defeco a igualdade, vomito a ignorância.

 

Acerto o relógio, ativo o alarme. Fecho os olhos para dormir. Antes recusado mas diferente, que igual e mundano.