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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Perco-me...

por Ismael Sousa, em 13.03.18

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Poder-me-ia perder na imensidão de sentimentos que invadem a minha mente. Poder-me-ia perder na profundidade do teu olhar. Perco-me em demasiadas vezes.

 

Sinto-me preso. Há cadeias invisíveis que me prendem a este mar de insegurança que em mim existe. Olho a minha vida, as dificuldades porque passei e continuo a passar. Todos me dizem que sou melhor que aquilo que me acho, mas eu teimo na desvalorização dessas palavras. Acho-me sempre menos que aquilo que suponho ser.

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Não encontro forças necessárias em mim para a mudança que almejo na minha vida. O amargo fel da insegurança, âncora que me segura neste porto turbulento, torna-se cada vez mais acentuado em cada dia que vou vivendo. A instabilidade de humores e vontades, as necessidades insatisfeitas.

 

Comparo-me, muitas vezes, à imagem que Charles Dickens descreve das almas penadas, no seu livro “Um conto de Natal”, cheias de correntes, feitas dos pecados cometidos nesta vida. Também eu vivo acorrentado, cheio de grilhões e de âncoras, incapaz de partir para o além, para a vida que tanto ambiciono.

 

“Abraço...”

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As noites são ainda frias, cheias de pesadelos. Aninho-me na minha cama, aos cantos. Um cama enorme, vazia, comigo num canto, passando despercebido. Muitas vezes sonho com aquele espaço frio, desprovido de grande mobiliario. Uns sofás velhos, uma mesa feita de caixas, alguns livros espalhados. A escuridão da sala, a luz ténue, a poesia. Um rádio antigo sintonizado numa estação qualquer. A máquina de escrever, francesa, velha, no seu canto. Uma marca de tantas palavras escritas. As folhas dobram-se com o peso da humidade, a fita ainda tem tinta. Dou comigo muitas vezes a acordar com o barulho da máquina que escreve, o tilintar do pequeno sino que avisa o fim do carril. Escreveram-se cartas de amor, dedicaram-se palavras. Sempre aquele barulho doce do bater de cada caractere. Letra a letra, sentimento a sentimento. Fugaz, triste, âncioso, saudoso. O frio que gela os dedos e a mente, a censura que bloqueia a mente. Tenho medo de dizer de mais, medo da fuga. E foram demasiadas as palavras, embrenhadas em sentimentos.

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Bastam-me poucas palavras para de alguma maneira dizer aquilo que sinto. Outras vezes as palavras não me chegam. Sou um ser que várias vezes mergulha num estado-depressivo-emocional-deprimente. É assim a forma de viver daqueles que constantemente sentem. É a forma de quem vive com intensidade, dá atenção aos mais detalhados pormenores, que rumina cada palavra dita, escrita, lida. É a minha justificação para as coisas, para os estados de espírito que possuo.

 

Uma ave ferida, têm sempre algum receio em voltar a voar. Mas é da sua natureza voar e não o pode contrariar. Uma pessoa ferida em amor, receia voltar a amar, mas é-lhe inato e mais cedo ou mais tarde volta a amar. Amar sem ser amado dói; não amar quem nos ama, um fardo difícil de suportar. Dois corações feridos que se amam, tendem em evitar amar. Mas o amor não é arma que fere. O amor sara, o amor ajuda a cicatrizar. Amor é tudo aquilo que de melhor há no mundo. Porque quem ama cuida, ajuda, perdoa, fala. E o abuso excessivo das palavras sem lhes conhecer o intimo, sem lhes conhecer o verdadeiro significado, desvaloriza-as, torna-as falsas. E as palavras que são tão mais verdadeiras que o sentido que lhes damos. E o gestos aos quais aliamos as palavras, dizem tanto de cada um de nós...

 

 

 

“Gostar de ti é um poema que não digo...”

 

Nunca pedi mais do que aquilo que me quiseram dar; sempre me dei por inteiro...