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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Palavras soltas...

por Ismael Sousa, em 28.04.18

Recorda-me.

Recorda-me nos momentos bons que vivemos, nas palavras doces que te disse.

Recorda-me, da maneria que quiseres.

Não me esqueças nem aos momentos que vivemos juntos.

Não me esqueças eternamente.

 

Choro.

Choro cada palavra que escrevo.

Sinto a falta de ser recordado, a falta de ser amado.

 

A noite vai avançada, as horas passam indiferentes.

Eu resido no meu leito mergulhado por entre lágrimas que me escorrem dos olhos, lavando-me o rosto.

Faz-me falta a lembrança.

Esquecido, deixado.

 

Há a dor, a mágoa.

Tu não estás, ninguém está.

Uma imensidão de espaços vazios.

Amo em demasia e falta-me amor.

Falta-me o carinho, o abraço sincero, a palavra certa.

Faltam-me atitudes.

 

Não há palavras que expliquem, palavras que consolem, que preencham.

O vazio é enorme, um enorme espaço deixado, abandonado, esquecido.

 

Que interessam todas as minhas palavras?

Que interessam todas as minhas ações?

Tudo foi em vão, tudo foi tomado por falso.

 

Não houve uma palavra, não houve um motivo.

Desapareci, deixei de existir, deixei, simplesmente.

 

Morremos assim, de um momento para o outro.

O vencedor leva tudo, mesmo que nada tenha lutado.

Morre-se assim, num instante de tempo.

Não há perdão, só condenação.

Não há compreensão, somente julgamento.

 

E a dor?

E o que se sente?

Não importa.

Apagar.

Esquecer.

Matar.

 

E assim se morre numa vida.