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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Nem muito, nem tanto, mas talvez...

por Ismael Sousa, em 05.03.18

Quantas lágrimas serão precisas, quantas horas de choro são necessárias, para acalmar todo o ardor que sinto? Quantas bebedeiras necessito para te dizer o quanto te amo, a falta que me fazes, o quão especial és para mim? De que necessito para sarar este meu coração que derrama lágrimas de sangue? Ainda te lembras dos nossos cafés, as noites que passámos a falar? Tens memória de mim em algum momento da tua vida?

Longe, estamos cada vez mais longe.

 

Fui ao café, sentei-me onde nos sentávamos. Sou assim, feito de memórias, recordações, sonhos, ilusões. Estou sentado, espero-te e ao café. Ainda acredito que vais cruzar aquela porta, que te vais sentar na minha mesa e que vamos conversar com toda a normalidade. Vamos acabar o café, vamos caminhar e tu vais fazer-me sorrir. Vamos sentar-nos, vou escrever, fugindo ao silêncio, inspirar-me em ti.

Vou deixar-te com um abraço demorado.

 

O sol começa a romper por entre as nuvens cinzentas. As gotas da chuva que cessou, escorrem das folhas e dos ramos que começaram agora a dar sinais de vida novamente. Dentro de mim continua a escuridão. Os olhos são dois lagos baços, escuros, sem vida.

O frio continua, eu estou gelado.

 

As horas do meu dia são um tormento.

Dois meses sem te ver.

És importante.

 

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Vagueio pela rua dos meus pensamentos, buscando por entre a noite algo que me aqueça o coração. Somente a fogueira dos momentos que passámos me faz aquecer o coração. Ardem como sarça ardente, como fogo que arde sem se consumir, sem desaparecerem. E é aí, a esse lume que arde de memórias, que recorro todas as noites para conseguir aquecer a alma e descansar.

Hoje vou ter insónias.

 

A cama onde me deito está fria. Os lençóis parecem ter sido tirados da rua e colocados diretamente na cama. Eu estou ainda mais gelado, no coração. Existe um coração que palpita dentro de um cubo de gelo. O sangue não é vermelho mas azul água. É gelo. Estou deitado, todo eu sou gelo. Os olhos fitam o infinito, baços e sem vida. O corpo está inerte, rijo. Todo o sangue congelou, parou. Dentro do peito não há nada que bata. Um último suspiro, a alma abandona o corpo.

De novo começou a chover.

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