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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Há ou existe!

por Ismael Sousa, em 18.07.18

Poderia haver uma história de amor. Ou quem sabe uma história de transformação. Poderia ter sido as duas coisas. Mas poderia não ter sido nada.

 

Há sempre uma janela com vista para um horizonte incansável, um cigarro entre os dedos. Há sempre tanta coisa num pensamento distante e vago. Havia eu, ali, em solidões exaustivas, em olhares perdidos e horas queimadas em cigarros acesos.

 

O mundo muda na sua universalidade. Existe tanta coisa esquecida e abandonada. Existe tanto para onde fugir, tanto para onde partir. Há quem deseje ficar, outros desejam partir. Há mundos pequenos, existem mundos grandes. Há quem vá e existe quem fique.

 

Senti a falta num coração apertado. Houve uma insuflação de ar, de um novo ar. A esperança de um novo recomeço. Há gente que sonha, existem quem concretize. Eu fico-me pelos intermédios.

 

Voltei no tempo a um espaço onde me sinto confortável. Um lugar onde eu um dia fui feliz. Regresso a um passado solitário, um passado que tão poucos conhecem, que tantos desejaram ignorar, que fizeram por não estar. Regresso a um presente diferente de tudo aquilo que um dia sonhei. Vou e volto entre passado e presente. Viajo por um espaço tão meu, tão exclusivo. Voo pelos meus sonhos de uma forma indiferente.

 

Não existem cartas de amor, não existe a impressão de se ser amado ou desejado. O mundo corre sempre indiferente a corações que palpitam por coisas mais importantes que a superficialidade de um mundo que ambiciona o momento, esquecendo o futuro.

 

Atravessei a cidade em passo lento, atravessei o mundo em pensamentos. Aqui, ali, acolá ou além. Importa existir, importa ser-se, importa amar.

 

Encontrei poesia na esquina de uma viela escura, desprezada por todos, pela sua degradação. Há a dor e a frieza em mil olhares direcionados, onde a raiva e a dor permanecem de uma forma cruel.

 

Um piano abandonado numa rua deserta. A melodia que ecoa num coração de amor, o silêncio nas palavras. Ali, diante do olhar, as teclas sujas pelo tempo e abandono. As notas desafinadas de um ritmo brando. Soou a mais bela das canções, a mais bela das músicas. Ecoou um mundo que existe somente num pensamento e na vontade da concretização.

 

Há, existe.

 

O presente. Somente o presente nos tolda o pensamento. O que passou, passou; o que ficou, ficou. O futuro não existe, o futuro é uma ilusão. Seremos sempre folhas em branco, tábuas rasas, onde escreveremos o rumo que queremos tomar. Há sempre a oportunidade de um ponto final, existe sempre a oportunidade de terminar e recomeçar. O mundo em espelhos quebrados e amaldiçoados.

 

Sonhos de alguém que nunca sentiu.

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