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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

E se chovesse...

por Ismael Sousa, em 27.08.18

E se chovesse? E se a chuva voltasse a cair? Por onde me perderia em pensamentos?

Enroscava-me em teus braços, na esperança de um adormecer reconfortante.

 

E se chovesse? Veríamos um filme de fronte a uma lareira acesa, recostados um no outro.

 

E se a chuva voltasse a cair, por onde andaríamos sem nos termos?

 

E se chovesse em que reencontros no encontraríamos, por onde andaríamos?

 

E por não te ter desejo tanto ter. Por não te sentir, tanto desejo sentir. E nos sonhos que um dia havemos de sonhar, nas palavras que um dia iremos trocar, nos reencontrarmos em sentimentos que achamos já não existirem.

 

E se não chover, haveremos de nos perder naquilo que achamos existir ou no que pensamos não acreditar.

 

Eis-me aqui, junto à janela, sem saber se chove ou não. Se os sonhos não passarão somente disso, se os dias serão tão longos como parecem ser. Eis-me aqui, perdido em pensamentos sob o horizonte que me foi proibido, impedido de fumar o cigarro que me foi rejeitado.

 

Aprisiono-me na vã esperança de saber ou tentar imaginar. Perco-me somente nas palavras que desejo escrever ou proferir, no quão estranho posso ser, na inólvidada esperança de um dia ser feliz.

 

E se chover ou não, pouco importa na imensidão dos desejos e pensamentos, naquilo que tanto desejo sentir, na estranheza de saber ou no infundado fundamento de sentir.

 

E se não chover, que serei num amanhã incerto, na extrema vontade de ter o que desejo sentir.

 

O tempo está estranho, tomando as almas inocentes para um estado de reflexão. O tempo rouba-nos o viver, tolda-nos a mente e a forma de pensar. E se chovesse me que nos tornariamos? E se chovesse...