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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

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por Ismael Sousa, em 24.07.18

Perco-me na infinítude do teu olhar. Anseio conhecer cada traço do teu rosto, cada local teu, cada sentimento e pensamento. Quero-te, junto a mim, em dias incontáveis de eternidade, onde sonhos e mundos habitam em nós e somos tudo aquilo que desejamos.

 

As horas passam infinítamente em anseios de te ter junto a mim, em meus braços e em meu sentir. Sentir o teu cheiro, conhecer a tua respiração, o sabor dos teus beijos e o calor do teu abraço.

 

O sonho e a vontade perpetuam a vontade de ser parte de ti, num complemento e conformidade que só nós dois conhecemos. O tempo que é indiferente, o tempo que não sente ou que não quer sentir, o tempo que acentua e magoa, o tempo e o tempo.

 

Sonho-te em cada momento que o meu pensamento se desliga do trabalho. Sinto o corpo a movimentar-se e o meu pensamento a procurar-te. Viver cada segundo inseguro de ti, com o receio de te perder, o medo de não bastar.

 

Tantos os silêncios que nem o mar me traz conforto. Olho-o na sua imensidão, para além das vidas que me circundam, em momentos de ilusão e abandono. Quebro as regras que me impuseram: o sonho e a vidraça, o café e o horizonte sem fim. E em fins inesperados me espero encontrar contigo.

 

Falham-me as palavras que te quero dizer; falham-me as forças e a confiança. O café está frio, o sol não me aquece a alma. Sinto-me a vaguear sem rumo, na ausência que não compreendo. A vida passa-me diante dos olhos e a melancolia abate-se de novo sobre a minha alma negra e esfarrapada.

 

Saio, para a rua, em ausências inexplicáveis. A vida, que simplesmente corre, não se inebria por mim. Há um triste fado nesta forma de viver, nesta dor de sentir, nesta fome insaciável. Há um fado melancólico em palavras bucólicas e desajeitadas, tentando dizer tudo aquilo que sinto em mim.

 

Falham-me as formas gramaticais, as palavras e os verbos. Repito o que digo sentindo inexplicavelmente algo maior, que não consigo compreender, que não consigo ver. E o depois que é sempre tão constante, impedindo a forma de viver bem o presente que desejamos. O medo de um futuro esvaziando aquilo que dentro de nós existe. Pelas palavras que dizemos, comprometemos as nossas vidas, unindo-as num forte laço inquebrável por quem quer que passe.

 

Sonhos, ilusões, certezas ou angústias. Perdas irreparáveis, medos e receios.

 

Uma estrada ou meio, uma forma de chegar. Vai-se ficando, vai-se vivendo. Um estado de inexplicável sentimento, que nenhuma palavra no meu conhecimento consegue traduzir aquilo que dentro do meu estranho ser se faz sentir. Talvez um fado, talvez uma saudade, quiçá um fado-saudade.