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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Quando o tempo vier

por Ismael Sousa, em 27.10.18

A tarde emergiu de uma neblina que durante toda a manhã cobriu a cidade. As folhas amarelas e vermelhas esvoaçam pelos ares, bailando ao ritmo que o vento vai brincando com elas.

 

A cidade vive o seu frenesim de um sábado à tarde. Misturo-me por entre a multidão que se passeia pela cidade. Os rostos vão pesados e meios tapados por causa do frio que se faz sentir. Não sei se existe um sorriso em seus rostos ou os lábios descaídos de tristezas. Sentei-me no café onde habito. Sim, onde habito, pois passo aqui tanto tempo que é quase como um compartimento de minha casa. Sento-me na mesa do costume, gasta pelo tempo, onde a cor castanha começa a ganhar terreno em relação à preta. O habitual café não tarda em chegar à mesa como um hábito. Fumo o meu cigarro de olhar posto no frio que se faz sentir lá fora, na rua de outono, numa tarde de outono.

 

É curioso como o inicio das estações tende a inspirar os escritores e pintores, de uma forma desconhecida, levando-os a escrever, ou pintar longos textos ou belo quadros. É uma inspiração da natureza que nos cresce, deixando-nos sem forma de a contornarmos.

 

Um caderno preto diante de mim, o café que queima na chávena de porcelana branca, o cigarro que ainda esfumaça no cinzeiro de vidro. Retiro dos ombros o sobretudo com padrões cinzentos e brancos, colocando-o sobre as costas da cadeira, de uma forma trapalhona. Deixo-me estar com o cachecol com os mesmos tons ao pescoço, um casaco verde tropa e uma camisola de gola alta. Abro o caderno, tirando-lhe a virgindade com algumas palavras escritas em folhas soltas. Um caderno onde quero perpetuar a minha memória, onde quero ser de alma e coração. Não interessam as opiniões exteriores a mim, não interessam os pensamentos de outros. Um caderno onde eu sou aquilo que sempre sou, de forma pura e verdadeira, sem máscaras nem sentimentos oprimidos. Comprometi-me a escrever estas palavras de uma forma tão minha, sem os tabus onde tendo em me prender.

 

Mas a vida que ambiciono, que desejo que seja minha não me deixa deixar de pensar nos esforços que sempre faço em ser a cada dia que passa, mais eu, de uma forma que possa viver tão livre quanto o voo de uma gaivota. Uma lágrima escorreu-me pelo rosto, um olhar vazio e triste para uma sala tão cheia de gentes, tão vazia de atenções.

 

Observo tudo em meu redor. Sinto os cheiros, tendo adivinhar que infusões estão a tomar os que residem em meu redor. Há uma mulher solitária e de olhar ferido a duas mesas de mim, um homem que se aquece na chávena do café, enquanto espera por alguém. Existem crianças a correr, outras sentadas, famílias e amizades em cima das mesas. E eu, no canto, onde acaba a parede de pedra e começa a vidraça, onde bate o sol já meio frio de um outono que se começa a sentir rigoroso.

 

Espalhei as folhas sobre a mesa. Algo começava a não fazer sentido neste passado que existia em mim, neste pedaços de escrita que teimo em guardar mas que já não fazem sentido absolutamente nenhum.

 

Rasgo a primeira folha. Fecho os olhos e tento esquecer o que me rodeia, aquilo que está em meu redor. Tento encontrar o caminho para o meu coração.Há um lugar vazio e abandonado, onde pedaços já desmoronaram, onde as paredes perderam cor, onde só existe o nada e o abandono. Cruzo a porta que me fecha o coração, rebentada como que num assalto, deixando ver o interior para quem quer que dele se abeire. E a vida e os sonhos, os sentimentos e as pessoas abandonaram aquele espaço feio.

 

Vivi, em demasia, da superficialidade, no sentimento falso e sem reciprocidade. Questiono-me, tantas vezes, o motivo pelo qual, certos aspetos na minha vida não resultam da forma como eu tanto luto por eles. Sinto que por vezes a vontade de baixar os braços é maior que a de lutar de uma forma brava, de lutar por aquilo que ambiciono, por aquilo que desejo, por aquilo que eu acho que mereço. Ou talvez seja este pensamento errado, o achar que mereço algo que, na verdade, eu não mereço.

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O sol foi coberto pelas nuvens negras, cheias de chuva que o forte vento trouxe. Anoiteceu, de forma repentina, trazendo o frio psicológico ao espaço onde antes estava um calor outonal, um calor de corações e de gentes. Acabaram-me os cigarros. Levantei-me e fui comprar mais. Pedi uma infusão e sentei-me, de novo, a olhar pela vidraça. As primeiras pingas de chuva caíram na vidraça, ofuscando a visão clara que se tinha da rua. Lá fora as pessoas correm de um lado para o outro. Todos fogem, só eu fico.

 

 

Fecho os olhos de novo, sinto a chávena e o bule a pousarem em cima da mesa. Concentro-me ainda mais, tentando abafar o ruído dos meus pensamentos. Uma grande cidade surge na minha mente. Vejo os seus edifícios, vejo as pessoas que circulam, com rostos indecifráveis. Alguém caminha na minha direção. Cara séria, sem sorriso nem tristeza. Caminha em minha direção, como se eu não estivesse ali. E num breve momento atravessa-me. E nesses milésimos de segundo, a minha alma fica fria. Reconheço todos os seus sentimentos, reconheço os seus pensamentos. Sinto, que em si, existe uma tristeza grande que contrasta com tanta felicidade em outros campos. Sinto que deseja abandonar algo que procura e pelo qual já sofreu tanto. Que deseja baixar os braços, tentando seguir em frente, abandonando tudo aquilo que tanto desejava, talvez por falta de forças, talvez pela forma como não foram com ele. Sinto o desejo do abraço que lhe falta, a forma como se dá por inteiro aos outros. Sinto a dor e a falta de tanto que deveria ter recebido.

 

A chuva parou e as nuvens cinzentas começam a dissipar-se. Acabei a infusão e sinto a necessidade de me recolher no meu canto, onde nada mais para além do silêncio existe. Quero refugiar-me pela falta que tive, por aquele pensamento que me perturbou. Sinto, que algures neste mundo, uma alma existe assim, longe dos meus braços para abraçar. Sinto, ainda, a tristeza de quem não consegue sorrir mas que possui uma alma tão pura, uns olhos tão brilhantes, vida onde menos espera. 

Tarde outonal

por Ismael Sousa, em 21.10.18

Pensamos a poesia enquanto absorvemos aquilo que nos rodeia, deambulando pelas ruas tão cheias de gentes e tão despidas de sentimentos. Sentimos a poesia em cada olhar que trocamos, em cada pensamento que desejamos ter. A poesia é muito mais que palavras: é vida, é emoção, sentimentos e tantas coisas mais. A vida, tantas vezes a vida.

Um final tarde de outono, num domingo um pouco solarengo. As chuvas caíram tímidas e rápidas, abandonando rapidamente o espaço que lhes pertence. Dois bancos de jardim, individuais e colocados lado a lado. Um jardim no centro da cidade, praticamente abandonado e utilizado, somente, por meia dúzia de indivíduos. Alguns levantam-se do sofá para se sentarem num banco do jardim, banco comum de dois ou três. Um pouco de conversa, matar o tempo que é de mais trazido pela reforma e pelo abandono da família.

Abandonei o trabalho que me aborrecia e caminhei por espaços que conheço tão bem, com tantas estórias para contar. Vim sentar-me numa outra esplanada, livre de tudo o que me possa aborrecer. Estou só. Eu e os meus pensamentos. O pequeno lago, o arvoredo ainda verde diante de mim e o sol que ilumina o convento caiado de branco. Um café, pensamentos e muitos cigarros. São os cigarros que fumo, os cafés que tomo, a vida que tenho que me fazem penetrar neste abandono sozinho, numa espécie de introspecção e avaliação do “eu” de hoje. O passado é um premissa importante a ter em conta. O futuro a conclusão de vários pensamentos.

Existe, em mim, a necessidade de desvendar algumas suspeitas, de me desligar de passados e pessoas que nada me ajudam. Vivo isolado no meu mundo, escondido por sorrisos que não são os meus! Deparo-me, comigo mesmo, tantas vezes excluído dos espaços onde me encontro. As conversas são paralelas e não me incluem no seu leque. Amigos, colegas, namorados, nas conversas que lhes interessam, concentrados nas suas vidas. E eu, ali, na exclusão. Não que o façam propositadamente, mas por não haver o que falar. Sou, como lia num destes dias em O Paraíso Segundo Lars D., uma ilha difícil de alcançar, onde o espaço de água que a separa do pedaço de terra mais perto tende a aumentar. O fechar-me em mim por não encontrar quem se corresponda comigo, pelas ausências e pelos silêncios, pelas atitudes e desinteresses.

Falo, de forma indireta, diversas vezes, sobre os sentimentos que invadem, tantas vezes o meu coração. Falo talvez da pior forma e sinto que de alguma maneira exagero na forma sentimental como falo. Canso as pessoas com sentimentos tristes e duros, sempre com o mesmo sentimento. A mim basta-me errar uma vez mesmo que perdoe mil. Um simples erro meu faz crescer um enorme transtorno em meu redor, um afastamento e silêncios que eu tento oprimir com demasiadas coisas em meu redor. Mas chega uma altura em que o silêncio é o abandono perduram mais que eu desejo.

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Compreendo e aceito a negatividade e aborrecimento da minha pessoa, no fardo difícil que por vezes posso ser para as pessoas que vivem comigo. Sou uma alma infeliz, um corpo triste, um ser sem vida. Os sentimentos corroboram-me mais que aquilo que por vezes eu desejava. Tento ser diferente, tornar-me diferente, mas os segredos e sentimentos que oculto em mim tornam-me impotente e sem capacidades pra mudar.

Falta-me amor, falta-me vida, falta-me ser. Sou palavras tristes, sou o poema da dor, o texto do sofrimento, a encarnação da angustia. Sou o desinteresse, a vida fútil e necessária somente na necessidade de outrem. Oprimo-me, deixo de viver, deixo de ser, deixo-me.

O café esfriou, o sol já não aquece, os cigarros acabaram. Os dois bancos de jardim, diante de mim, individuais e colocados lado a lado, continuam vazios, sem enamorados que ali pousem, sem almas solitárias como eu. O mundo, a distância, a vida. O vento já sopra frevo, as lágrimas já deixaram de escorrer. Moedas em cima da mesa, isqueiro no bolso e os passos de retorno a uma realidade constante da minha vida. Novamente os espaços, as memórias e a falta das palavras. Novamente no meu espaço, no meu mundo onde não reside ninguém. A ilha que sou cada vez mais distante do mundo que a rodeia, impossível de alcançar alguém, inalcançável por ninguém. Melhor assim: a dor e a angústia que sinto guardo-as para mim. O sorriso de palhaço no rosto novamente e a vida que não para nem me permite ficar preso num espaço e tempo.

E voltaram as chuvas!

por Ismael Sousa, em 17.10.18

Voltou a chuva. Voltaram os ventos frios, as manhãs nebulosas, os dias cinzentos. Voltou a chuva.

 

Dou por mim irrequieto, sem vontade ou motivação que me valha. Sinto-me vazio, abandonado, com a aura negra, sem vida. Percorre-me na mente as pessoas que fui perdendo ao longo dos tempos. Recordo os seus rostos, os nossos momentos, as nossas conversas. Perco-me no pingo das chuvas que caem do lado de fora da janela. A saudade aperta dentro do meu peito, o sentimento de culpa por de alguma maneira ter menosprezado ou ter abandonado amizades ou pessoas ao longo da minha vida.

 

O dia hoje está cinzento, sem brilho. Não há nada que faça exaltar uma alma perdida de um horizonte que a guie. Existe a perda em demasia no meu peito, a saudade dos risos e da vontade que dentro de mim crescia.

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Tomo o meu longo café com sabor a cigarros constantes que enublam o meu pensamento num esforço enorme de não deixar que a lágrima escorra pela minha face. Sinto-me impotente, sem capacidade de fazer algo que mude aquilo que eu sou, aquilo que eu sinto.

 

O café está escuro, apesar das luzes estarem ligadas. A cobertura de madeira escura de todo o café entristece mais a alma que a acalenta. A superficialidade do momento, daquilo que eu suponho ter e não tenho. A incerteza do meu futuro, a vontade de me focar e não ter por onde me mover.

 

A madrugada da minha vida parece não ter despontado. Faltam-me as certezas e as forças, falta-me a vida, falta-me a alma.

 

Digito uma mensagem no telemóvel, apago-a. Falta-me a coragem de dizer aquilo que me vai no coração. Falta-me a força ou estou cheio de receio, da resposta que possa vir ou da mensagem que não virá.

 

O meu coração palpita incessantemente. Corre-me nas veias a fraqueza e a falta de um amor que me preencha. Apaixono-me constantemente e com muita facilidade. Preciso da atenção despendida, necessito do amor e do carinho. Sou feito de emoções, das emoções que fazem aquecer o coração. Amo o que não me ama. Uma constante da vida que se perpetua pelo tempo.

 

Voltaram as chuvas, voltaram os dias cinzentos e as longas horas dentro do café, inspirando cada palavra que escrevo na gota de chuva que escorre pela janela embaciada pelo calor de um ar artificial.

 

Preciso do tempo, do tempo que urge. Preciso do meu espaço e da minha calma, da lareira acesa, do lume que consome a madeira. Necessito do livro e do chá quente, do meu canto indiferente, onde sou eu na minha paz. Preciso do meu espaço, aquele espaço pelo qual ambiciono mas não possuo. Sou, eternamente, vazio e sem sentimento, triste e oco.

 

As palavras acumulam-se nas pontas dos dedos, querendo-lhes dar vida, querendo tornarem-se algo. Mas eu confundo-as, troco-as e as não sei expressar. Sou somente fútil e incapaz, preso a sentimentos que são tão díspares. Sou a encarnação da fraqueza e do abandono.

 

A chuva voltou. Voltaram os dias cinzentos e sem luz, o frio que leva a vida, a saudade que retoma, a melancolia que se instala. Voltaram as chuvas e a vida que eu não tenho.

A chuva voltou...

por Ismael Sousa, em 11.10.18

Acordei com a chuva que batia fortemente na vidraça. O vento soprava-a, salpicando as grandes janelas do meu quarto. Uma neblina pairava sobre as copas das árvores, entranhando-se por entre a floresta que que se prolongava pelo monte.

 

Da minha cama conseguia contemplar todo aquele imenso cenário, de uma vista privilegiada, como um espetador na primeira fila de uma ópera, onde consegue ver os músicos que executam as partituras, os bailarinos nas suas melhores performances, as divas nos seus pontos altos. Privilegiado era assim que me sentia por acordar todas as manhãs com aquela vista. Durante o dia as cortinas estavam corridas, mas todas as noites as corria para conseguir contemplar o céu estrelado, a lua que se despedia por detrás das árvores.

 

Fiquei ali mais de dez minutos a contemplar aquele espetáculo da natureza. Fiquei até que o despertador tocou, dando sinal de alvorada numa manhã tão cheia de outono.

 

Mergulhava nestas manhãs tão cheias de estações do ano com uma enorme raridade. Os dias são passados a correr, de trabalho em trabalho, daqui para ali. Os dias são passados e as noites são o único momento de mim para mim. Mas a noite não tem estações do ano. As noites são todas iguais, algumas com nuvens, outras com estrelas. Umas com lua outras com chuva. Mas as noites acabam todas por serem iguais, frias no alto do monte, solitárias, escuras.

 

Por isso, cada vez que acordava antes do relógio tocar a hora de levantar, mergulhava em manhãs de pensamentos, sempre diferentes no seu acordar. A vidraça, virada para poente, haveria um dia de me permitir ver o sol esconder-se por detrás da montanha, na calma de uma vida que desejo ter.

 

O mundo parou por instantes em torno de mim. A neblina que por entre os troncos das árvores se dissipava, penetrava no meu pensamento de uma forma estranha, cobrindo o meu coração de uma felicidade simples. Como um suave lençol que com que se cobre um corpo nu sobre uma cama ou um véu com que se tapa a cara dos mortos. A felicidade é amarga, como um pico, um momento fugaz. A felicidade anda sempre de mãos dadas com a desgraça. Temo-a mais que a morte porque causa mais dor. E aquele suave sentimento de felicidade perturbou a minha mente, fazendo-me temer o futuro.

 

A chuva havia parado há algum tempo. O despertador voltou a tocar como de aviso se à primeira não o tivesse escutado. Olhei de novo aquela paisagem por detrás dos vidros salpicados pela chuva. Olhava de forma a perpetuar aquele quadro na minha memória, na procura de força para mais um dia. Fechei os olhos e vi na minha mente aquela imagem. Aquele pequeno pico de felicidade haveria de ficar marcada por aquela imagem. E mesmo que a dor venha a ser enorme aquele pequeno quadro, gravado com força na memória, haverá de me dar algum conforto.

Fixando

por Ismael Sousa, em 08.10.18

Há alguma coisa melhor para recordar os bons momentos do que álbuns de fotos? Olhar para as fotografias de infância e recordar o brinquedo que não largávamos. Ver amigos que entretanto partiram para os cinco cantos do Mundo. Lembrar aquelas férias numa praia que parecia infinita. Rir com as caras que fazíamos nos jantares de amigos durante a universidade.

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Quem diz álbuns de fotos, diz pastas perdidas algures no computador, memórias daquelas que o Facebook insiste em recordar ou os velhos vídeos que se gravavam nos Natais em família. Por isso é que acho que fazer uma sessão fotográfica com pessoas que são importantes para nós é sempre uma boa ideia. Sejam colegas de trabalho, amigos ou convidados de casamento.

 

Claro que nem sempre temos tempo (ou orçamento) para uma sessão de fotografia. É por isso que o telemóvel anda sempre em riste e com a objectiva pronta a disparar. Tenho gigas e gigas de todas as viagens e de momentos que consegui captar na hora H. Sem planificação, claro - mas também sem a qualidade de um trabalho profissional.

 

Se partilham a minha ideia sobre imortalizar determinados momentos através das fotos, então este post é para vocês. Recentemente fiquei a saber que existe um website online onde podem procurar todo o tipo de serviços: a Fixando. Já alguma vez ouviram falar? A ideia é simples: os clientes explicam que serviço precisam e depois recebem até 5 orçamentos de forma gratuita.

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Ainda nunca usei, mas parece-me absolutamente brilhante para aquelas horas em que precisamos de um picheleiro ou de um electricista para ontem. Ou - e era aqui que queria chegar - de um fotógrafo para uma sessão de fotos engraçada. Para quem precisa de fotógrafos em Lisboa ou fotógrafos no Porto, basta clicar nestes links e numa questão de minutos podem começar a organizar-se.

 

Qual é a vossa opinião? São tão fanáticos pelas fotografias como eu? Acham que vale a pena contratar um fotógrafo profissional?

 

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...

por Ismael Sousa, em 07.10.18

Tudo o resto é passageiro. Tudo é fútil e nunca de nada serviu. A vida é feita desta maneira, a vida é feita assim.

Não guardo arrependimentos dentro de mim, não guardo ódios nem rancores. Guardo mágoas e saudades, guardo sentimentos que só eu conheço. Guardo o mundo inteiro e as memórias que tenho dele. Guardo os cheiros e as noites, os abraços que cruzámos e já não existem. Guardo as palavras que trocámos, guardo o mundo que vivemos. Eu serei sempre a vaga memória de um passado distante.

Tentei sorrir, voltar a acreditar. Pensei que desta vez fosse diferente e que a distância tivesse aproximado. Mas fui parvo em voltar a acreditar, fui parvo em voltar a recordar. Eu sabia que me ia magoar, eu sabia que nem deveria arriscar. Mas o amor que senti foi mais forte do que eu. O amor que sinto não me deixa avançar.

Caiu a noite sobre a cidade e eu estou abandonado nos meus pensamentos, solitário no meu sentir. Um dia teria de acabar. Um dia seria hora de seguir. Mas o amor não escolhe quando é o tempo para acabar, o amor não escolhe quando é o tempo de partir.

Amar-te será, durante tempo, o meu maior problema. Não se ama pelos dois, não se pode amar por quem não ama. Somente as lágrimas conseguem compreender o amor que as faz correr. Somente as lágrimas conseguem revelar o sentimento que há tanto está por desvendar.

Mundo ingrato e infértil. Mundo onde todos somos passageiros. Mundo de dor e saudades, de mágoas e verdades. Não interessa a sua dureza, são verdades que temos de acumular, são verdades que temos de desvendar e confraternizar.

Não vale a pena fingirmos ser aquilo que na verdade não somos. Não vale a pena andar-se com rodeios, se tudo aquilo que desejamos acabamos por não ter. A vida é mesmo assim, a vida continuará a ser assim. De nada nos vale fugir ou esconder. O mundo sempre incansável nos parecerá.

Mar

por Ismael Sousa, em 01.10.18

As portadas de madeira da velha casa com riscas azuis e brancas batiam com força na trave que fazia toda a volta da janela mais a sul da casa. Ele abriu a janela e um vento forte entrou por toda a casa, apagando as velas que estavam dispostas sobre a mesa da sala.

 

- Trás o isqueiro! – replicou ele enquanto tentava fechar a custo a portada, impedindo que ela batesse ainda mais. O vento soprava e o mar em frente rebuliçava-se, batendo fortemente nos grandes rochedos que ocupavam quase toda a extensão da praia.

 

- Vai ser forte hoje… - atirou para o ar enquanto voltava a acender as velas que repousavam por ali, alumiando o espaço pequeno da sala. Um cadeirão de chenile a um dos cantos, uma pequena mesa de centro e um sofá com pouco mais de três lugares. Nas costas do sofá, dobradas e como que a marcar lugares, duas mantas, cada uma de sua cor, escuras (ou talvez fossem escuras devido à pouca luz que ali se tinha).

 

Sentaram-se à mesa, comeram o jantar e arrumaram a cozinha. Sentaram-se no sofá. O vento ainda soprava de forma impressionante do lado de fora. Ouvia-se o mar a bater e de repente um enorme troar ecoou por toda a casa. Quase que tivera a sensação de que toda a casa mexera, que um dos pratos ainda tilintara. Depois veio a chuva.

 

A cada som estarrecedor sucedia-se um enorme flash por toda a casa. As portadas estavam fechadas e toda a luz entrava pelas frestas delas e das portas. O som do mar, juntamente com a chuva e a trovoada pareciam ecoar como uma orquestra num opera qualquer, talvez sobre os descobrimentos.

 

- Vou lá para fora. – Balbuciou e saiu porta fora. Ele levantou-se, preparou duas chávenas grandes de café e saiu também.

 

Estavam os dois sentados, debaixo do alpendre envidraçado por causa das noites de chuva. Um gostava de ouvir a tempestade. A outro inspirava-lhe todo o cenário.

 

- As tempestades no mar são lindas. E estas noites de tempestade no mar são de uma brutalidade… - comentou ele. E de novo o silêncio, a eternidade do silêncio que perdurou por tempo que nenhum foi capaz de decifrar.

 

A magnificência daquela visão fazia acudir por um deus qualquer numa forma de agradecimento especial por se considerarem dignos de assistir a tão belo espetáculo da natureza. Era uma forma pura da natureza, a rebelião de um mar ou simplesmente a forma de união entre o céu e a terra.

 

O mar rebentava de uma forma bruta e generosa, os raios caíam sobre as águas, como se de uma mensagem tentasse enviar. O vento soprava brutalmente, fazendo dobrar o velho pinheiro que crescera junto à falésia e por ali tinha vivia desde há muito tempo.

 

- O mar, tantas vezes o mar. Inspirador, arrebatador, forte. Inspiram-me estas noites. Não sei como poderia deixar de viver aqui. Faz-me falta o mar. Amo-o quase tanto como te amo a ti. – e entrou, levando as chávenas para dentro deixando-o, a ele, a saborear aquele espetáculo que tanto gostava.

 

“Como te amo a ti…” foram as palavras que a ele ficaram a ecoar na cabeça. Entrou, apagou as luzes, abriu as portadas e foi-se deitar, abraçado a quem amava e a quem o amava.

 

O vento acalmou, a tempestade abrandou e a alma tranquilizou.

 

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Infinite Book

por Ismael Sousa, em 01.10.18

Para estudantes e trabalhadores que sentem a necessidade de fazer vários esquemas ou vários apontamentos que no fim podem sempre acabar num caixote do lixo, há sempre uma pequena indecisão sobre o que usar. Os blocos de notas são sempre bons, mas depois existe a consciência ambiental. Há sempre a solução de um quadro branco, onde se escreve e apaga, mas tem a desvantagem de não ser portátil. Quem sabe uma ideia super brilhante poderia estar presente nesse quadro, mas que pode morrer ali por não haver forma de a levar a alguém. É claro que passar para papel exige algum trabalho e numa foto não dá para corrigir. Bem, ainda bem que neste mundo existem idiotas (e atenção ao verdadeiro significado da palavra)!

 

Corria o ano de 2014 quando o Pedro se deparou com três pequenos problemas: 1) o lápis nem sempre corre bem no papel, criando algum atrito e com isso vários bicos partidos; 2) A caneta cria algum compromisso, que não é ideal para quem estuda; 3) quadros brancos são solução mas obriga a estudar de pé e não dá para levar os apontamentos ao professor.

 

Perante estes três pequenos problemas (e alguns saberão bem a dor de cabeça que eles podem criar, principalmente quando escreves e riscas, escreves e riscas…) nasce assim o primeiro protótipo de um quadro portátil, ou melhor, um caderno onde as folhas são como um quadro branco. Fez várias experiências e apresentou a ideia a um amigo. A partir daí foi encontrar uma fábrica que aperfeiçoasse o protótipo. E assim nasceu o Infinite Book!

 

E é numa fábrica em Viseu que este caderno é feito.

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Comprei o meu primeiro Infinite Book na semana passada. Encontrei-o na Fnac à venda, com vários tipos de capa e várias funcionalidades. O meu é do Fernando Pessoa. Estava super entusiasmado em experimentar este meu novo caderno. Sou um amante de cadernos, com os mais variados tipos de capas, páginas e originalidade. Escrevo muito em cadernos, abandonando alguns por capítulos que se fecham, outros porque o que escrevi não faz mais sentido.

 

Sentei-me numa esplanada com o meu Infinite Book à minha frente. Risquei a primeira página, escrevinhei na segunda. Fechei o caderno e testei a sua durabilidade depois de as páginas estarem em contacto umas com as outras.

 

Voltei a abrir o caderno e passei a mão na primeira página, percebendo se facilmente sairia aquilo que acabava de riscar. Nada. O que estava riscado continuou como tinha deixado. Foi hora de voltar a página e perceber como tinha ficado o que escrevi na segunda página. Tal e qual como havia deixado. O meu primeiro teste a este produto inovador estava feito.

 

Agora era hora de apagar o que estava escrito. Depois de usar a borracha que a caneta trás, depois de limpar com um pano as páginas que usei, o caderno continuou impecável, como se nunca tivesse sido usado.

 

Esteticamente é um caderno bonito, maleável e muito funcional.

 

Agora surge a questão: para que serve este caderno? Bem pode servir para muitas coisas. No meu caso vai ser útil para fazer apontamentos para os blogues, vai ser útil para tirar notas no trabalho, para agendar e tirar apontamentos. A funcionalidade? Ótima, porque depois de realizadas as tarefas é possível apagar, é possível voltar a utilizar. E, já agora, é um produto português ao qual deve ser dado o seu mérito!

 

Parabéns ao Pedro por ser idiota (e se leres isto não te ofendas) e parabéns à empresa de Viseu que o produz. Agora vai ser bem mais fácil tomar notas não deixando de ser amigo do ambiente. Passem na página oficial (aqui) ou sigam no Instagram e Facebook (aqui e aqui).

 

P.S. – Gostaria de desafiar o Infinite Book a criar um caderno com pautas de música! Para músicos seria muito bom. Talvez com a imagem de Beethoven ou Mozart!

Negruras

por Ismael Sousa, em 15.09.18

O caos. Tantas vezes o caos. A mente que percorre mil e um locais, memórias, pensamentos. O caos, responsável por nos fazer pensar.

Uma tarde de sol, o calor nas ruas. Eu, no meu local, refugiado de todos e mergulhado, como sempre, nos meus pensamentos.

Por vezes maldigo a hora em que o meu pensamento começou a funcionar, as horas de sofrimento da minha mãe para me parir. Tomara que não fosse concebido num momento de prazer entre dois seres humanos, gerando uma criança. Haveria de ter falhado algo, haveria de ter passado somente de uma simples ejaculação sem frutos. Mas não. Os espermatozoides decidiram nadar em direção a um maldito óvulo, criando a minha existência.

Sem sorte desde esse momento, fui crescendo ao longo de nove meses, absorvendo aquilo que a minha mãe é, aquilo que ela sentia e que tão bem me transmitiu. Maldita hora em que o cordão umbilical não torceu e eu ficasse somente com aquilo que era essência. Mas não torceu e eu continuei a absorver tudo aquilo que se vivia no exterior, a forma como a minha progenitora sente as coisas e a dedicação que põe nelas.

Devo ter sido feito numa noite de lua nova e nascido numa mesma lua nova, nove meses depois. Saí das entranhas da minha mãe e a minha sorte escorreu juntamente com o líquido amniótico. Limpo das sortes que o mundo tinha para mim, chorei a primeira vez talhando assim um futuro com mais choros que sorrisos.

Cresci, de forma diferente de todos os outros, sempre no meu mundo, sempre na minha forma de pensar, usado e abusado por tantos. A minha sorte não começaria ali. Toldei a minha vida pelo bem ao próximo em preterição ao meu próprio bem. Fui escorraçado e deitado aos leões. Depois veio a saúde que me fez ter que ter forças, mais do que as que eu pensava ter. Perdi demasiado, ganhei mais, talvez. Depois soube que me fiz de pobre coitado, centrando todas as atenções em mim. Maldita hora em que de alguma forma tentei ser diferente.

A noite já se abateu sobre mim, entre cigarros fumados com lágrimas, a longos cigarros pensativos. Tenho saudades, em mim, muitas mais que alguém possa algum dia imaginar. Sou diferente, não sou como todos os outros. Sinto de forma diferente e especial, sinto de forma triste e amargurada. Sou melancólico e triste, negro de alma e de pensamento. Deixei de esperar, deixei de acreditar. O mundo não é para mim, eu não fui feito para o mundo.

Embebedo-me nos meus pensamentos que as ausências me provocam, que os amores que senti nunca foram correspondidos. Um dia achei ser amado, mas fui somente mais um entre tantos. Tive demasiadas partidas e tão poucos regressos. Mergulhei em mim, fechando-me no escuro do meu ser sem luz que o ilumine.

Acabou o maço de cigarros, o bar vai fechar e eu vou deambular pela noite escura e fria. Vou voltar a lembrar de ti, lembrar que um dia estiveste a meu lado. Vou esperar encontrar-te numa rua escura ou iluminada pela rua. Vou esperar-te até que apareças, sentir-te até que sejamos novamente. Vou morrer na espera, desaparecer do pensamento, deixar de ser memória.

À espera que regresses. Fico à tua espera.

por Ismael Sousa, em 14.09.18

Por mais que nos seja doloroso, haverá sempre uma altura em que nos despedimos de alguém. As pessoas partem, seguem as suas vidas, de livre vontade ou forçosamente. Há outras que partem para não mais voltar, outras em que a partida é definitiva.

Custa sempre dizer “adeus”, “até um dia”.

Chorei todo o caminho que fiz, desde o momento em que te deixei até estacionar o carro em casa. Há muito que nos havíamos separado, há muito que deixávamos de estar lado a lado e que tão raramente trocávamos uma mensagem. Mas permanecias no lugar especial que um dia ocupaste. Permanecias ali. E eu, tantas vezes, tentava odiar-te, tentava esquecer-te.

“A ti…”

Não sei se tu te lembras de metade das coisas que vivemos e fizemos juntos em tão pouco espaço de tempo. Dos quilómetros que andámos juntos, das vielas e ruelas que percorremos. Dos cafés infindáveis, das histórias que partilhámos.

Não sei se tu te lembras daquele local onde me levaste por ser para ti o melhor, com a melhor vista sobre a cidade. Não sei se tu te lembras dos beijos que trocámos, dos abraços que fizemos, do sentimento que se criou.

O tempo, tantas vezes o tempo, estúpido e parvo, que traz mais reflexões que as que devia trazer. O tempo, aquele que passámos juntos, aquele que era mais nosso que do mundo. O tempo que despendemos um com o outro, as conversas e as estrelas no firmamento, os provérbios que completámos. A vida que foi tão pura durante esse tempo.

Agora despedes-te das coisas, partes para longe. Já partimos um do outro mas houve algo que sempre ficou, algo que nunca nos separou, pelo menos a mim.

E aquela noite fria, naquela sala cinzenta, onde ouvimos rádio e lemos poemas, onde escrevemos palavras que pensávamos não conhecer. A ti, quantas vezes a ti te escrevi textos, quantas vezes estivemos mais perto do que nunca, em filmes que vimos, em tanta coisa que partilhámos.

Não sei se vais, não sei se ficas. Sei o que és e o que significas e isso eu nunca vou poder esquecer.

Fica o meu abraço forte e sentido, aquele que muitas vezes trocámos e que tanto desejámos. Fico à tua espera. À espera que regresses. Fico à tua espera.

 

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