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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um presidente à maneira?

Estamos habituados a ver as altas entidades governamentais ao longe, no seu alto estatuto, sem qualquer ligação com o "povinho". Fomos habituados a ver estes "seres estranhos" somente em campanhas eleitorais, numa mistura falsa com um povo de que dizem fazer parte. De quatro em quatro anos, vão a feiras, caminham pelas ruas, falam com o "povinho", convencendo-os que são a melhor opção para a governação do povo, do qual dizem fazer parte.

Mas ao fim desta campanha, depois de o "x" colocado no sitio certo, estes maravilhosos representantes do povo desaparecem. Ainda não consegui perceber se pelo excesso de trabalho ou pela distância enorme que separa os seus locais de trabalho do resto das gentes. A verdade é que quando há uma desgraça ou uma cerimónia qualquer, lá estão eles, engravatadinhos, nariz empinado e somente falam com quem lhe interessa. Estão ao longe, inacessiveis, meios surdos, incapazes de ouvir as queixas do "pobre povo queixoso".

Quero acreditar que deve ser do excesso de barulho que ouvem nos seus gabinetes a discutir assuntos de extrema importância para o país. Não consigo imaginar o barulho ensurdecedor que se ouve nas assembleias, nas discuções parlamentares, tudo pelo interesse popular, das pessoas que trabalham diariamente, por aqueles que são explorados pelos patrões, pelo desemprego e outros problemas que o país atravessa. Isto é aquilo em que queremos acreditar.

Mas a verdade é que os maus da fita são os midia, que nos dão uma visão errada daquilo que realmente se passa no nosso país. Eles, os meios de comunicação social, são os grandes culpados pela imagem que temos dos politicos, pela imagem negativa que temos do nosso país.

Talvez tenha usado ironia a mais, com algumas verdades pelo meio, disfarçadas por meias verdades. Mas a verdade, e isso digo-o de verdade, é que as nossas ideias estão cada vez mais limitadas pelo que os midia nos transmitem. Acreditamos piamente no que dizem, acreditando que transmitem a verdade. Mas o que transmitem é somente aquilo que pode dar noticia. Tenho visto, nestes últimos dias, cartoons que nos mostram como uma noticia pode tantas vezes ser falsiada. Mas sem devaneios, passemos ao que me levou a escrever este texto.

Durante dois mandatos, que são aqueles em que tenho uma melhor memória critica, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República não se fazia ouvir, não se fazia ver. Belém deve ter salas a mais para limpar, para controlar, e quem sabe um labirinto onde se perca horas infindas para o atravessar. Talvez tivesse que organizar todos os documentos, todos os livros existentes neste bendito palácio. Dez anos para colocar Belém no lugar para que o atual senhor Presidente da República pudesse andar sempre em passeio.

Depois de doze anos sem Presidente da República à vista, somos bombardeados diariamente com notícias sobre o atual chefe de estado. Presidente da República viaja para ali, PR vai aculá, Pr faz isto e PR faz aquilo. Uma autêntica vida de passeio depois de casa organizada pelo antecessor. Ou talvez não.

É de foro público, pelo menos para os que privam comigo, a minha simpatia para com o PR Marcelo Rebelo de Sousa. Como crítico já ele possuía o meu agrado, pela forma clara com que falava das coisas, pela forma imparcial. As sessões de domingo à noite eram mais interessantes que as Casas dos Degredos ou outros formatos parecidos. Não era só um momento político, mas também um momento cultural. Invejava toda aquela imensa biblioteca particular que parecia ter. E pouco a pouco, Marcelo foi conquistando o coração de alguns portugueses.

Hoje deixou as noites de domingo, mas todos os dias é notícia. Marcelo tem quebrado barreiras, costumes. Vai onde é necessário, sem cerimónias. Talvez não uma pessoa do povo, mas faz-se verdadeiramente do povo. As "Marselfies" tornaram-se moda, pudemos até dizer que português sem selfie com o PR não é português. Marcelo distribui comida aos sem abrigo, partilha a mesma mesa com pessoas desfavorecidas, conta histórias a crianças em hospitais. Marcelo visita as comunidades portuguesas, visita as comunidades que por esta ou aquela razão sofreram uma ou outra catastrofe. Marcelo é um Presidente para o povo. A verdade é que estamos a ficar mal habituados. Temos tido um PR mais presente que alguma vez tivemos. Mas, e depois de ti Marcelo? Daqui a quatro anos como será? Quem te suceder, como trabalhará com o Povo? Voltaremos a ser esquecidos? O pó voltará a Belém? Os livros e arquivos estarão de tal forma desorganizados, que será preciso mais doze anos de arrumações? Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: quando deixar o Palácio de Belém, deixe um papelinho na porta, outro no frigorífico, uma notificação no email. Espalhe papelinhos por Belém para que quem vier a seguir que não se preocupe com a "faxina do Palácio" mas que viva ao lado do Povo.

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