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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Simplesmente um pôr do sol!

O sol começa a mergulhar no horizonte, mesmo diante de mim. Hoje o meu horizonte não são as serras, mas a linha onde termina a terra: o mar. Estou deitado na minha enorme toalha. Penso em ti e em como gostaria de te ter aqui, a meu lado. Somente sentir-te aqui, nada mais. A praia começa a desvasiar, as pessoas a irem embora. São quase horas de jantar, há que regressar a casa. E enquanto elas vão, eu vou permanecendo, virando de um lado e do outro, já numa espécie de lagosta (sim, já que estou à beira mar faço alusão a algo do mar; muito provavelmente se estivesse na serra referia-me a um porco que vai assando no espeto). Vou tentando

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resistir ao frio, enfiado na minha t-shirt de alças. T-shirt que comprei para conseguir andar fresco e tapar o implantofix, que marca o meu corpo e me torna ainda mais imperfeito, parecendo uma autêntica aberração. O frio começa a tornar-se insuportável e divido-me entre desistir e ir para o bar ou enrolar-me no toalhão de um metro e oitenta por um metro e sessenta. Quase parece uma toalha de mesa. Fumo um cigarro e enrolo-me à toalha (ou toalhão), fitando o sol que começa já a estar mais baixo. Penso em ti e em como me fazes falta. Em como seria tão bom ter-te aqui, junto a mim, a aqueceres-me do frio que se faz sentir cada vez mais. Penso em como te amo, em como já não consigo viver sem ti. E tu sempre ausente, sem grandes culpas. Mas não estás aqui. Escrevo o teu nome na areia que o vento vai apagando. Escrevi o teu nome no meu coração e nada o apaga. O mar é já um espelho do sol, criando um caminho de fogo. Queria puder caminhar nesse caminho de fogo e que me levasse ao teu coração e para junto de ti. Não consegui resistir ao frio, por isso vim até ao bar. Espero que o sol desça mais um pouco, entre o café e o cigarro. A mente divaga, como em maior parte do tempo. E, no seu culminar, acaba sempre em ti. Não me sais da cabeça, por mais que eu me queira esquecer de ti. Sinto-me obcecado, dominado, perdido. Já não sei dominar estes sentimentos e eles tomam conta de mim durante todo o dia. Já mergulha no oceano o sol, tornando fogo tudo à sua volta. E eu só te queria aqui, junto a mim, a partilharmos este momento lindo! Queria-te aqui para saborear os teus lábios, sentir o teu coração. Sentir-te. Simplesmente estar junto a ti. Quem sabe dar-te a mão, encostar a minha cabeça no teu ombro. Queria-te aqui! O mergulhar do sol não me sai da cabeça e tu não me sais do coração. A lágrima da saudade cai e eu quero tanto odiar-te. Mas amo-te em demasia. Envolvo-me no toalhão (ou toalha) enquanto o sol acaba de desaparecer na linha do horizonte. Mais um dia acaba e eu longe de ti, sem falar ou saber algo de ti. Continuo a acreditar que de alguma maneira fui diferente. E agarro-me a essa réstia de esperança com tanta força que para mim isso basta!