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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Prevenção!

Relembramos, este mês de abril, o mês da prevenção dos maus tratos infantis. No concelho de Vouzela, uma série de iniciativas têm sido criadas para relembrar este tema que parece, tantas vezes, ignorado e esquecido.
Este mês serve para relembrar, não para celebrar. É preciso sensibilizar para este tema que, à porta fechada, acontece diariamente. Mas aquilo que mais transparece é que não acontece, que os maus tratos infantis são coisas casuais, raras e que só acontecem de tempos a tempos. As famílias são perfeitamente normais, as crianças são tratadas maioritariamente bem. Mas este tratar bem é, afinal, o quê?
Convém, aqui, relembrar aquilo a que chamamos "Direitos das Crianças". Segundo a informação que consta no site da UNICEF, os direitos das crianças acentam em quatro pilares fundamentais: a não descriminação, o interesse superior da criança, a sua sobrevivência e desenvolvimento e a sua opinião. Ainda no mesmo site, diz que a Convençao dos Direitos da Criança contém cinquenta e quatro artigos. Por sua vez, a Wikipédia (e seja-lhe dado a credibilidade que cada um quiser), aponta-nos onze direitos fundamentais da criança. Muita informação pode ser encontrada na Internet, a facilidade e enciclopédia dos nossos dias.
Esta semana trabalhamos com as crianças que vêm até nós, os direitos das crianças, a sensibilização para este tema. Elas são as vítimas silenciosas, tantas vezes, julgando que é normal, que os pais têm todos os direitos sobre eles.

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Trabalhamos numa forma de sensibilização, numa forma de semear uma semente que, considero, nunca devia ser semeada. Para mim, as crianças deviam-no ser verdadeiramente. São crianças, deviam puder correr sem medos, emurrar os joelhos e cotovelos, deitarem-se na lama, fazer fisgas e atirar grampos aos pássaros. Deveriam puder rir sempre, sonhar com um mundo tão diferente do que aquilo que ele é. Deveríamos todos ser sempre crianças, rir em qualquer momento, correr nos prados verdes, nos campos. Sujarmo-nos na terra e na lama, saltar nas poças de água, correr à chuva. Deveríamos deixá-los fazer de connta, brincar às escondidas e à cabra cega.
Neste trabalho de sensibilização, consigo perceber a indiferença que eles têm sobre o tema. É algo que eles não sentem, que não sabem que existe. Normal, perfeitamente normal. Mas no meio de tanta criança sei que alguns conhecem aquilo sobre o que falamos. Não têm marcas, não o dizem. Mas os olhos falam mais que uma boca. E como são sinceros os olhos das crianças inocentes.
O mundo não é fácil, sabemo-lo nós, os adultos. Há preocupações diárias, há perigos constantes. Não me considero a melhor pessoa para falar sobre este assunto. Não tenho filhos nem a pretenção de os ter. Talvez digam que sou novo de mais para falar sobre o assunto e que nada sei sobre o mesmo. Contudo, não deixo de partilhar a minha opinião. Olho em meu redor, observo mais do que falo. Vejo crianças com bolhas e crianças deixadas ao soprar do vento. Crianças privadas de muitas coisas e outras tantas com coisas a mais. Estamos na era das tecnologias. É muito fácil calar uma criança colocando-lhe um telemóvel à frente. Os nossos pais, aqueles que nasceram na época em que as chamadas se faziam apenas por telefone, foram verdadeiros heróis a criar-nos. Ou não saíam ou sabiam como nos calar quando berravamos de mais. E não precisavamos de ser "espancados". No meu tempo, se a minha mãe me dava uma nalgada, era algo perfeitamente normal. Mas a libertinagem é um exagero e há quem não se contenha. E de uma nalgada passa a um estalo e por aí fora.
Estamos no mês da prevenção dos maus tratos infantis. Mais do que educar as crianças neste sentido, é necessário educar os jovens e os adultos. Esses serão mais brevemente os novos pais. Esses devem ter uma mentalidade diferente, uma mentalidade em que não mais seja necessário plantar sementes contra os maus tratos infantis. É anti natura.
Hoje vamos distribuir laços azuis. Que o laço não caia no esquecimento, mas que seja sempre lembrança de que numa sociedade desenvolvida ainda muitas crianças são saco de boxe daquels a quem estão entregues. Que a luta não seja só hoje, mas em todos os dias. Vou agora para a rua, distribuir laços! Que as mãos nunca sirvam para bater.