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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Preciso de um abraço teu...

Perco-me todos os dias nas memórias dos tempos que passámos juntos. Sinto o amargo nas palavras que me surgem na cabeça. A saudade é fel que me faz vomitar. Odeio este sentimento tão horrível que aprisiona o sorriso que tenho vontade em demonstrar.

 

E tantas, tantas as palavras que eu gostaria de dizer, ou somente escrever. Mas algo aprisiona o meu pensamento, a minha mão atrofia, impedindo-me de escrever aquilo que sente o coração. Falta-me o sangue, emoções a mais correm nos meus vasos sanguíneos.

 

Sinto-me perdido em labirintos sem saídas, aprisionado, em que nem os gritos de pranto são ouvidos por quem está em meu redor. Sou um ser baralhado, confuso, onde o caos se instalou dentro de mim, apoderando-se de todo o meu coração. A mente já não ordena, o coração comanda todas as minhas atitudes.

 

Acobardo-me, na noite da minha existência, deixando escapar as oportunidades que diante de mim tomam forma.

 

Faltam-me pequenas coisas, tão simples, mas que me destroem em cada minuto de distância. E a imprevisibilidade, a falta de conhecimento de quando te voltarei a ver. E tudo o que queria era deleitar-me novamente em teus braços, sentir os teus lábios suaves no meu rosto. Sentir o calor do teu corpo, o silêncio de palavras e os gestos tão cuidados e assertivos.

E nesse teu abraço apertado, no calor que emanas, do carinho com que me tocas, o caos vira tranquilidade e só me assola o medo de ter de os deixar. O teu abraço, sempre tão carinhoso. Falta-me.

 

Há o sonho. Aquele que lembro ou que acho que nunca tive.

 

Há a vontade de ter algo, desejar algo. Depois o triste contraste com a realidade que te faz perceber que tantas coisas um dia não se irão realizar.

 

Há as pessoas, aquelas que desejamos ter a nosso lado, que desejamos ter eternamente na nossa vida.

 

Há tantas coisas nesta vida que deixaram de fazer sentido, ou que continuam a ter, não sei. Há mais incógnita a pairar no ar que respiro que as certezas que possa ter. Somente a certeza de não ter certeza de nada.

 

Fecho-me. Fecho-me para um mundo que não sabe amar, para as pessoas que só sabem usar. Cansei, fartei, desisti. Não quero ser marioneta em mãos alheias, não quero ser uma vez mais descartável. Também eu sinto, também eu rio e choro. Também bate dentro de mim um coração, ainda que revestido de caos. Mas não deixa de bater, eu não deixo de sentir.

 

E eu que sou mais emotivo que alguém possa pensar, sou mais frágil que aquilo que possa aparentar. E chove. Na rua mas também dentro de mim. Só que ninguém sabe, porque as janelas da alma estão embaciadas, as portadas fechadas. E eu inundo-me constantemente, deixando de possuir qualquer vontade em mim. Somente a enorme necessidade de transbordar, de abrir as portadas e as janelas que encobrem toda a minha mente. E falta-me tanta coisa e um misto de nada ao mesmo tempo. E a alma abandona-me, correndo por um mundo ainda por descobrir, deixando-me sem orientação.

 

Um calafrio. O calor do teu abraço momentâneo, as imagens de ti a percorrerem-me a mente. Preciso de ti, de uma forma que nunca compreenderás. Qual timoneiro de uma barca que navega pelos mares dos sentimentos, dando orientação a quem nela embarca, atracando em porto seguro. E eu, e eu, e eu. E tantas vezes o 'eu' que surge dentro de mim, questionando toda a minha forma de sentir e de ser. E o medo de perder. E tantos outros medos e, novamente, o erro de perder. E a minha vontade tão contrária aos meus medos. Querer arriscar e ter medo. Querer dizer e ter medo. Querer ter e ter medo. E eu e os medos, os meus medos, que são gigantes dentro de mim, que são monstros que me destroem.

 

Preciso de um abraço teu.

 

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