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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Poucas palavras, sentimentos bastantes!

Uma noite como tantas outras. No céu não brilhava a lua, as estrelas não se viam. Era mais uma noite fria, de um outono que já era mais inverno que propriamente outono. Um parque de diversões, dois baloiços solitários. Não havia alma por ali perdida. Sentei-me no baloiço e recordei.

Não havia muito tempo em que havíamos estado ali, os dois, baloiçando-nos num entretenimento despreocupado. Vivamos estes pequenos momentos de uma forma tão intensa, que nada em nosso redor parecia importar. E não importava, pelo menos para mim. Era um tempo dedicado só a ti e pouco mais importava.

Agora resta só a memória. A distância entre nós é cada vez maior, já mal nos conhecemos. O tempo passa indiferente, sem se importar com aquilo que sinto. O tempo passa, acentuando cada vez mais esta distância que entre nós existe.

E eu tenho saudades tuas, umas saudades que não deixam de existir. Fazes-me falta e faz-me falta a paz que me davas.

Deambulo durante todos os meus dias, nas esperança de te encontrar em cada esquina que cruzo. Percorro as ruas da cidade, relembro as nossas conversas, os nossos passos. E agora, o que existe? Nada. Praticamente nada. Somente memória grata daquilo que um dia vivemos.

O baloiço ao meu lado movimenta-se por simpatia com o meu, mas reside vazio. Abandono-o, esquecido.

Há uma certa indiferença dentro de mim relativamente a tua o que se passa em meu redor. Já não mais tenho vontade de fazer seja o que for. Abandonei a escrita, abandonei os passeios e o cinema. Já não saio, perco-me em leituras eternas, devorando livros na busca de um sentido para tudo o que sinto. Mas é maior a incerteza que qualquer certeza que eu possa ter. Os dias passam e eu abandono-me a eles. Vivo indiferente, sem sentido.

O sol brilha mas já me é tão indiferente. Deambulo nesta minha vida sem sentido. Dentro de mim há uma tempestade que não quer passar, que derruba tudo aquilo que eu sonhei construir. As ruínas não tiveram nem tempo de se reconstruir.

E no meio de toda esta tempestade que tomou conta de mim, eu ainda sonho e tenho esperança. Existe a barafunda, o turbilhão. A inquietude eterna de deixar tudo e seguir por uma via totalmente diferente daquela que me talha os dias. Insatisfeito por natureza, incapaz de se acomodar e de ter interesse pelas coisas que estagnam, pela vida que não progride.

Necessito de me libertar, de criar novos hábitos, de conhecer novas pessoas. Preciso da novidade constante na minha vida, de ter algo para fazer e nada ao mesmo tempo. Necessito de me reencontrar constantemente, perdido nos meus pensamentos e nos meus tempos. Preciso de mim. E tu davas-me tanto de mim, de voltar a ter algum objetivo na minha vida.

E agora o vazio, o nada. A saudade de te ter onde já tive. E o que me resta é somente a memória e as poucas palavras que ainda trocamos.

 

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