Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Por sentir!

Queria puder dizer-te tanta coisa. Dizer-te com as palavras mais belas, com o maior brilho nos olhos, com a maior das sinceridades. Gostaria de te escrever o texto mais belo, a carta mais tocante, usando todos os adjetivos e formas verbais que mais belos existem. Queria dizer-te tanta coisa. Desejo-o em todas as minhas entranhas, ferve-me no sangue essa grande necessidade. Mas depois arrependo-me, os receios e os medos tomam conta de mim.

 

Tenho em mim tão bem guardado as memórias das noites que passámos juntos. Tenho gravado em mim mil e um sentimento, mil e uma palavra, mil e um gesto. E a memória mais terna dos teus olhos, dos teus lindos olhos, que me remetem para uma serenidade impossível de transcrever por palavras, impossível de transcrever em textos.

 

Somos tão diferentes. Não pensamos da mesma maneira, não temos as mesmas opiniões. O mundo surge-nos de maneiras diferentes, olhamos com outros olhos para as coisas. Somos diferentes e isso é fácil de se perceber. Mas em toda essa diferença que entre nós existe eu sinto que nos compreendemos tão bem. Talvez seja só eu que o pense, talvez tu penses de forma tão diferente. Não sei, sempre foi tão difícil ler-te.

 

Passo noites em branco, pensando em ti, recordando os momentos que partilhámos. Passo a noite desejando partilhar contigo tantos momentos. Penso em tanta coisa, em tantas hipóteses e sonhos.

 

Queria sair daqui, contigo, partirmos. Irmos para junto do mar, jantarmos num restaurante com vista para o imenso oceano, caminharmos pela noite dentro. Deitar-me contigo, adormecer no teu peito, acordar contigo junto a mim. Queria estar, bem junto, puder beijar o teu rosto suave, os teus doces lábios. Queria abraçar-te, numa eternidade, com aquela vista sobre o nosso olhar, em silêncios e palavras segredadas, em confidências tão nossas que nem os pássaros que passam junto de nós conseguem perceber.

 

Perco-me tanto e nem sei se tu também te perdes assim. Como eu gostaria de saber o que sentes, o que pensas. Saber se pensas em mim como eu penso em ti, se tens saudades. Se desejas estar comigo como eu desejo de estar contigo. Não sei, nunca soube. Mas eu sinto a tua falta em todas as manhãs, nas tardes. E nas noites quando me deito o desejo de te ter ali, comigo, adormecer junto a ti. Queria puder beijar-te, sentir os nossos rostos juntos, as minhas mãos nas tuas. E onde nos encontraremos, onde iremos?

 

E reside a saudade, a falta das tuas palavras. Faltas-me e nunca imaginarás o quanto. As palavras serão sempre só minhas, serei sempre só eu a sentir. E agora onde estarás e agora o que sentirás?

 

Não sei se lês as palavras que escrevo, não sei se sentes a forma como escrevo. Vou sair para a rua, escrever nas paredes e nos muros. Talvez consigas ler o que te escrevo, consigas perceber o que te digo. Porque sei que adoras ler o que dizem as paredes. E são tantas as palavras escritas, que encontramos nas ruelas que percorremos. São tantas as palavras que te quero dizer que somente uma rua nunca te irá dizer aquilo que estou a sentir. E de longe, daquela varanda com a mais bela das vistas, talvez leias o texto que te escrevi em todas as paredes da cidade, com palavras escolhidas a dedo para que sejam as mais belas. E no fim, talvez quando acabares de ler, consigas perceber a confusão que vai dentro do meu coração, os sentimentos que fervem dentro de mim. E todos os silêncios, todas as vezes em que faltaram as palavras, foram momentos em que te saboreei, em que memorizei o teu rosto no meu pensamento, para que na ausência, nos tempos em que estou sem ti, consiga conhecer, ao fechar os olhos, todos os traços do teu rosto, todas as linhas do teu sorriso.

  • E o quê? (com aquele sotaque)

  • Nada.

    (e tu sorrias...)

    DEAE1BCD-F363-4750-9A14-AB2B00D21521.jpeg

     

1 comentário

Comentar post