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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Poesia regada com Chá!

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Das improbabilidades surgem, muitas vezes, coisas boas e momentos inacreditáveis.

 

De um simples convite, para algo que eu não imaginava como fosse, para dentro de uma loja de chás aromatizados com poesias e conversas.

 

Foi no centro da cidade de Viseu, mais propriamente ao cima da rua Nunes de Carvalho, que o orgasmo literário e cultural se deu. Agulha do Tempo é o nome da casa de chás, onde se pode encontrar muito mais do que chás. Ali o chá é um chamariz, porque aquela pequena loja, de bicicleta à porta, escorre cultura e arte em todas as suas paredes, em todas as suas peças de mobiliário. É arte, pura, violentada, amada e, talvez, indesejada. É arte no falar, no olhar, no beber.

 

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E, numa pequena sala daquela casa, onde residem "restos" de história, mataram-se e voltaram a ressuscitar-se almas. Em volta de pequenas mesas, de conversas de amigos, a rede social mais antiga, a escrita, voltou a tomar forma. Não só pelos textos que se declamaram, mas como no chá que se bebeu (e que ainda guardo o sabor daquele chá amarelo, do Tibete), nas conversas e linhas de vida cruzadas. A arte surgia aos nossos olhos com um fantástico poder, embelezados pelos desenhos da querida e tímida Inês, pelas peças que nos transportaram a outras épocas, pela voz de cada um, que à sua maneira iam dando voz à poesia.

 

Chá e poesia: que dupla inevitável. O chá saboreia-se, aquece o corpo. Descobrem-se sabores, sensações e emoções (e aquele bendito chá amarelo que me transportou para a minha infância, o cheiro a trabalho do campo, agreste como cada dia de trabalho). E, inevitavelmente, as palavras escritas por grandes nomes e as novas descobertas. Emoções, sensações, palavras saboreadas, ruminadas, interiorizadas, que acalentam o coração. Um final de tarde de sábado, o frio a querer fazer-se sentir. Um fim de tarde outonal.

 

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Duas horas depois, despedi-me daqueles que me encheram o coração com palavras doces, palavras amargas, palavras de amor. Cá fora fazia frio e eu só queria voltar àquele recanto. Face.The.Book é sem dúvida um projeto fantástico. E em cada nova oportunidade, o esforço para estar novamente presente. Agulha do Tempo, umas loja a revisitar, um conversa com o Zé e a esposa.

 

Naquela pequena sala, aquecidos pelo calor do chá e pela chama da escrita, os leitores deram voz às almas presas em páginas de livros, pela mão de algum amante.

 

Obrigado Face.The.Book, obrigado Agulha do Tempo.

 

Quem passar por Viseu que não deixe de lá dar um saltinho!