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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Pedrógão Grande, de novo.

No passado sábado, a estrada que tomei fez-me passar por Pedrógão Grande. DesdeIMG_1030.JPG o momento em que entrei no IC 8, até à saída para Pedrógão Grande, a paisagem que eu via era cenário de destruição. Para quem não conhece a zona, ali só se pode imaginar. Mas para quem passa por aquela estrada durante muitos anos e várias vezes ao ano, só consegue sentir pena.
Na minha memória existem altas árvores, verdes. Eucaliptos, sim, juntamente com o seu cheiro tão característico e que, sinceramente, eu tanto gosto. Na minha memória existe a sombra que elas proporcionavam, bem como os sucalcos que iam construindo. Na minha memória existem árvores a nascer, rios que contornan o verde, transformando o seu azul em verde. Agora, nada. Somente existe a cinza, o cheiro a morte, a destruição.

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Muito se tem falado sobre este assunto, sobre as medidas que deviam ter sido tomadas, tanta coisa. Uma das coisas de que ouvi falar foi sobre o motivo de tamanho flagelo. Pois, quanto a isso não vou opinar, mas, a verdade, é que agora se podem ver cadáveres de árvores que formam um arco: do chão ao chão. Podem-se ver as copas das árvores dobradas para o lado onde um enorme vento passou. O que era hábito estar virado para sul, encontra-se agora virado para norte. Quando no regresso voltava por essa mesma estrada, o cheiro era de fumo, cheiro de uma terra que ainda arde. O cenário é desvastador e das poucas casas que desta estrada se vê, só se pode ficar de coração apertado.

No meu percurso estava incluída uma paragem em Pedrógão (e não pensem que andei a passear por vales de tristeza e ruína, mas porque o meu destino fica a poucos quilómetros do local). Aquilo que ali senti foi solidariedade. As tendas enormes onde estão depositadas as doações do povo português vivem num burburinho constante. Burburinho de voluntários que separam os donativos, os colocam em caixas. Não se pode objetar contra isto: em tempo de miséria o povo ajuda com aquilo que tem.

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Agora há que seguir em frente mesmo que isso custe. É necessário começar a trabalhar aquelas terras pretas, fazer um rigoroso trabalho para que os destroços não caiam no rio, não o poluam ainda mais, que não estraguem. É necessário recomeçar. E recomeçar de forma organizada e a impedir que tal catástrofe volte a acontecer.

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