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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

O homem discriminado!

Toda a gente fala do assunto. Todos imitem a sua opinião sobre o tema. Os livros da Porto Editora são o assunto mais falado nesta última semana.

 

Não conheço os livros, nunca tive com nenhum na mão. A única coisa que sei sobre eles é aquilo que leio na blogosfera e nas noticias que leio pela manhã.

 

O que tenho constatado é que o rosa já não é mais uma cor feminina e que o azul não é uma cor masculina.

 

Não sou perito em nada, não tenho nenhum curso que me possa dar as faculdades necessárias para avaliar seja o que for. A única coisa que tenho é experiência de vida (sim, apesar dos meus 27 aninhos, tenho vivido mais que aquilo que pensam)!

 

Um dos temas mais badalados desde o século passado é a igualdade de direitos entre homem e mulher. E eu, com todo o respeito que tenho por estes seres, não podia estar mais de acordo que as mulheres tenham os mesmos direitos que um homem. Se um homem pode ser camionista, uma mulher também pode. E se for eficiente, que tenha tanto direito a ser contratada como um homem. Se uma mulher pode ser dona de casa, um homem também o poderá ser. O tempo em que a mulher ficava em casa e o homem trazia o sustento, já lá vai. Hoje, mulheres e homens, são o sustento.

 

Nasci num tempo em que as coisas eram diferentes dos dias de hoje. Eu brincava na rua, via desenhos animados, via filmes. Fazia as lides domésticas, ia à escola e construía cabanas em cima de árvores. Vivíamos na rua e os pais ralhavam-nos por andarmos até tarde na rua com os amigos. No meu tempo líamos livros, jogávamos à macaca e ao lencinho. Saltávamos à corda e brincávamos ao elástico. No meu tempo, duas pedras eram os postes das balizas e a bola andava nos pés. Todos jogávamos independentemente de sermos bons ou não (e eu que sempre tive dois pés esquerdos). No meu tempo era diferente, mas saudosismos não nos levam a lado nenhum.

 

Os dias que correm são diferentes, pela evolução lógica da natureza. Se existe evolução normal é que as brincadeiras e formas de vermos o mundo também sejam diferentes. Ninguém quer voltar aos anos 90 (no meu caso) e um futuro melhor está sempre ao vislumbre da nossa imaginação.

 

Mas com a evolução dos tempos está inerente a evolução da mentalidade. Mas nisto, em questões de mentalidades, parece-me que estamos num processo de retroversão. Não avançamos mas regredimos.

 

Hoje qualquer palavra é ofensa, qualquer forma de ver é repugnante. Preocupamos-nos com questões que são mais irrelevantes que a queda de uma folha. Que importa se o rosa é a cor ou não das raparigas e o azul a cor dos rapazes? Que importa se há um livro azul que diz "exercícios para rapazes" e outro rosa que diz "exercícios para raparigas"? No meu tempo não pensávamos nisso, os pais não pensavam nisso.

 

"Uma questão de justiça" podem afirmar. Mas enquanto se preocupam com questões de igualdade, não se preocupam com questões de dignidade. Uma parte do meu trabalho é lidar com crianças. E quando elas entram por esta porta dentro, para brincarem, não pensam se esta ou aquela brincadeira é para meninos ou meninas. Brinca-se em conjunto. E eu, na minha formação e contínuo interesse pela área psicológica, vou fazendo as minhas avaliações particulares. Há crianças que carecem de atenção, crianças que não têm uma vida fácil. Há crianças que têm tudo e outras que pouco têm. Mas no mundo deles, onde fantasiam, isso é esquecido.

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A maior necessidade, para mim, é formar bem estes pais, filhos da libertinagem, que não se preocupam em dar uma boa educação aos filhos, mas "sustenta-los". Não se incutem valores, não se incute educação. As crianças nascem ao "deus dará" aprendendo aos encontrões com a vida. Não há "obrigados" nem "desculpas", somente o eu e eu. Filhos da libertinagem, libertinos serão. E o homem que cria o mundo, destrói-o também.

 

Falamos em igualdade, mas esquecemos-nos que não há igualdade. Os homens têm de continuar a ceder passagem a uma senhora, a serem "cavalheiros" (e aonde é que já vai esse código de honra), têm de continuar a mimar as mulheres. Mas nisso não se fala em igualdade. As mulheres têm muito mais aceitação e concretização no mundo do trabalho que o homem. Já não se pedem colaboradores (o termo certo com que a nossa língua sempre definiu os dois sexos em conjunto) mas colaboradorAs. Precisam-se de empregadAs de mesa, de balcão, de colaboradorA para isto e para aquilo. Qualificadas ou não, acabam sempre por ficar com o lugar, porque se não é descriminação, há processos e afins.

 

Vivemos do avesso e numa igualdade falseada. O homem passou a submisso. Talvez lhe seja bem feito pelos anos em que se armou em superior. Infeliz de mim que nasci homem e tenho de lutar por tudo.

 

P.S. - Às mulheres da minha vida, às minhas colegas, todo o respeito e admiração que tenho por vós!

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