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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Nada de novo debaixo do sol

Todos os anos somos bombardeados com inúmeras noticias sobre este tema. Todos os anos se fala da mesma coisa. Não sei se é numa forma de prevenção se numa forma de manter a "tradição", mas nada que seja novidade.
Deixei o secundário em dois mil e nove (já lá vão oito anos) e no meu tempo e no tempo anterior a mim, já se ouviam relatos de acontecimentos idênticos. Lloret de Mar fechou portas. Os destinos mudaram, os costumes não.
A viagem de finalistas é sempre um ponto alto na vida de qualquer estudante. É um marco: o fim do secundário e a partida para uma nova jornada. É também a saída das asas dos pais para uma independência. Ou pelo menos assim deveria ser. Trabalha-se todo o ano para o gozo de uma semana. Uma semana longe dos pais, sem pensar na escola, com os amigos. Um país diferente, uma semana de autêntica liberdade e excessos. É-o por natureza. Bem sabemos qual o resultado quando nos vemos livres de tudo aquilo que nos aprisiona: o álcool é em excesso, há quem experimente drogas e, arriscaria dizer também, uma podridão sexual. É uma única semana onde tudo pode acontecer, onde tudo o que se passa fica lá, esquecido, escondido, nos segredos das amizades, que um dia mais tarde, em redor de uma mesa, serão motivo de recordação.
É também verdade, e esta talvez é que deveria ser um maior motivo de notícia, que existem coisas boas e que a pequena minoria que faz notícia não é reflexo do que acontecem nas viagens de finalistas. Existem estudantes que aproveitam para conhecer, descansar, divertirem-se com cabeça. Mas cada um é como cada qual e cada um se comporta segundo a maneira que foi educado. E quer queiram quer não, esta é a verdade.
Acho uma certa graça ao ouvir os pais dizerem que "o meu filho não fez nada disso", "foi culpado sem ter culpa de nada". Aos olhos dos pais somos todos uns santinhos, com a graça de Deus. Só nos falta uma auréola na cabeça e colocarem-nos no altar. Pena é que os altares são poucos e pequenos e temos os pés grandes ou corremos o risco de "mjar" as toalhas. Graças a Deus!
Questiono-me se os pais conhecem realmente os filhos. É claro que sim, são filhos. Mas e sobre o efeito do álcool? Sobre o efeito das drogas? Como é quando a adrenalina é maior que o normal? "O meu filho nunca tocou em drogas. Não bebe uma pinga de álcool". Já ouvi tantos pais dizerem isso e vi precisamente o contrário. Continuo a dizer que os nossos pais só conhecem de nós aquilo que nós queremos que conheçam. A nossa palavra é de ouro. Os meus pais sempre acharam que eu não fumava. Desde que chegasse a casa sem cheirar a tabaco da boca, que não fumasse com eles por perto, tudo continuava nesta crença absolutamente estúpida. Fumava há oito anos quando os meus pais descobriram. Nunca tinha chegado bêbedo a casa e para os meus pais eu não me embebedava. E eu apanhei com cada uma!
Que moral tenho eu para falar? Talvez nenhuma, é verdade. Mas a educação que os meus pais me deram nunca me fez atirar colchões de um quarto de hotel, partir aquilo que não era meu. Talvez por as coisas custarem a ganhar lá em casa e saber que se estragasse tinha de pagar. Já diz o velho ditado: "quem estraga velho, paga novo". A meu ver, a educação reflete-se em todo o lado, independentemente do estado em que estejamos. Conheço os meus limites, sei aquilo que devo fazer ou não fazer. Talvez por isso seja um renegado. É verdade que já fiz coisas para agradar aos outros, mas nunca nada que me fizesse envergonhar ou que envergonhasse os meus pais.
Reparo, muitas vezes, que os "Alpha" são cada vez mais e os restantes entram na moda para agradar, para se sentirem incluídos. A rejeição é horrível e por isso nada melhor que nos submetermos a um "Alpha". Sinceramente, não sei o que dizem os livros de psicologia sobre este assunto, mas para mim (descoberta que fiz quando me vi na aflição) todos temos um "Alpha" dentro de nós. Somo-lo ou não por natureza. Mas com algum trabalho esse "gene" virá ao de cima e cada um será capaz de se reger pelos seus próprios principios.

 


Bem, a verdade é que comecei por falar nas viagens de finalistas e acabei divagando um pouco mais. Quanto a estas viagens, não há muito a dizer. Que seja feita uma prevenção bem maior por parte dos educadores e também por parte das agências de viagens, que só veêm o seu nome manchado. Que haja videos e imagens a sensibilizar, senão coitada de Santa Bárbara que só é lembrada em dias de trovoada. Quanto aos jovens finalistas, porque não começar a pensar numa coisa diferente? Porque não um destino onde possam "aproveitar a vida" mas também conhecer um mundo/cultura diferente? Há tanto local onde ir! Com o mesmo dinheiro conseguem umas férias diferentes. Ah, e não se culpabilizem uns as outros. Não é bonito andarmos a atirar as culpas, acabamos sempre por ser todos iguais. Quanto aos pais? Olhem, uns culpabilizem-se, outros não. Para os pais dos futuros finalistas, uma conversinha séria antes da viagem faz sempre bem.