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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Mergulhado em mil e uma palavras!

Esfumaço infinitamente cigarros enquanto estou deitado na cama do hotel, olhando a televisão que muda de imagem constantemente, que reproduz um som qualquer que não entendo. No meu pensamento surges tu, sempre.

Acho que nunca te disse diretamente. Já te o disse, indiretamente, muitas vezes, mas nunca com a palavra certa, com todas as letras e hífens. Agora que escrevo isso, tenho a certeza que nunca te o disse tão claramente. E sei-o, simplesmente. Não preciso procurar nas nossas conversas, nem buscar na memória o momento em que te o tenha dito. Sei-o, simplesmente. Sei-o, porque estou a enrolar com mil palavras para o escrever. E continuo sem o escrever.

Não sei, talvez a palavra escrita perca toda a magia, se torne vulgar. Talvez ao escrevê-la, sinta que estou a relativizar esse sentimento. Quero-o cheio de magia, cheio de tudo o que sou, cheio do sentimento que ele é. Talvez queira as borboletas na barriga, a ansiedade a tomar conta de mim, o nervosismo a tomar-me o corpo. Talvez eu queira guardar essa palavra para o momento em que me despeço de ti, para quando fazemos amor. Sim, porque de todas as vezes acho que só fizemos sexo uma vez. Porque para mim, todas as outras vezes, é amor. E quem sabe seja esse o momento para te dizer essa palavra. E vou guardá-la para mim. Não a vou escrever. Vou guardá-la para te a dizer, sem que ela perca toda a magia que tem. E não será sempre, porque o que for em demasia, passa a ser comum. Guardarei bem esta palavra, este sentimento, que toda a gente pensa já saber, mas que só eu sei verdadeiramente e só a ti o direi.

Apago mais um cigarro, acendo mais um cigarro. O fumo dissolve-se no ar quente do quarto, desaparecendo com a pequena brisa que entra pela varanda aberta, tocando ao de leve as suaves cortinas aberta de linho. Não me sais do pensamento. Estás constante.

Aqui estou eu no quarto de um hotel, deitado sobre a cama, imaginando-te a meu lado. Faço-o muitas vezes, embora tu não o saibas. Passamos demasiado tempo longe um do outro e raras as vezes nos tocamos. E como eu gosto de sentir os teus lábios nos meus, o calor dos teus abraços, o teu respirar.

Há quem diga que longe da vista, longe do coração. Mas eu, no teu caso, quanto mais longe me estás da vista, mais perto me estás do coração. Sinto falta de ti. Sei tão bem que nos é impossível, que nos esforçamos. Mas as nossas vidas distanciam-nos. Não te quero perder, em momento algum. Simplesmente quero, em cada momento, lutar por ti e dar-te a conhecer que luto por ti. És-me tanto. E se tiver que o repetir todos os dias, podes ter a certeza que o farei, que em momento algum te deixarei.

Também sofro, é verdade. Mas nisso, só eu tenho culpa. Culpa por ser invejoso de mais, de ser inseguro de mais, de ser imperfeito. Todos os dias tenho medo de te perder, tenho medo de fazer algo que te afaste de mim. Em todos os dias temo que outro chegue e ocupe o meu lugar. Mas isso são imperfeições minhas, defeitos meus.

Há momentos em que te odeio. Odeio-te por não estares aqui, junto a mim. Odeio-te porque não me respondes. Odeio-te simplesmente, porque...