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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Conhecer-te

Um fim de tarde. Um dia de semana. O segundo para ser mais exato. O segundo, porque o Domingo é o primeiro. O sol vai mergulhando no horizonte longínquo. Uma viagem de cem quilómetros. O coração bate fortemente. A ancia vai tomando conta do corpo. Com o passar do tempo a distância vai também diminuindo, o nervosismo vai aumentando.

 

O frenesim da cidade começa a fazer-se sentir cada vez mais. Toca o telemóvel. "Estou quase a chegar". Palpita o coração numa enorme anciedade. Pára o carro no estacionamento. Uma moeda para o arrumador. A direção é uma mas o nervosismo faz perder o rumo. Uma volta a dois quarteirões para um destino a cinquenta metros. A espera. Novamente o nervosismo e a espera. Surge. Um enorme abraço une os dois. Um coração se acalma e volta a bater muito rapidamente. Caminham até ao miradouro. Em frente a grande cidade coberta pela luz do sol que se pôs. As cores inundam e pintam tudo em sua frente. Uma caminhada. Qual o destino? Desce-se a rua, atravessa-se a ponte cheia de gente. Uma foto à paisagem. O metro que passa. Mais uma foto. As cores de um sol ardente que mergulhou nas águas azuis.

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Uma caminhada lado a lado. Sorrisos, gargalhadas. Sobe-se até ao alto. Todo o rio dourado a seus pés. Uma foto para imortalizar o momento. Memórias de dois rostos. Passos. Um olhar sobre o horizonte. No corrimão, cadeados. Uns com nomes, outros sem nada. Um pequeno cadeado, dois corações vermelhos colados. Uma foto. Uma foto a dois. Corpos juntos tentando armazenar numa foto todos os sentimentos que se sentiram de ambas as partes. Uma fantástica foto, tanto significado, tanto sentimento. Uma foto, palavras não ditas mas bem sentidas. Reina o silêncio, abundam os gestos. Um novo abraço, um momento a dois.

 

Regressam pelo mesmo caminho. Palavras ecoam. Um café e de novo no carro. Uma viagem, um percurso. Mais um estacionamento. Não se abrem portas, permanece-se dentro. Tudo é tema para se falar, para cruzar olhares, matar a anciedade. Os rostos aproximam-se, os lábios tocam-se. Um tremor no peito, uma sensação de prazer e gosto. Labios carnudos, vontades à flor da pele. Palpita o coração, os olhares unem-se, cruzam-se as mãos. Dois corpos, labios unidos, mas juntas. Harmonia. Batem as portas do carro, sentam-se a uma mesa, jantam e falam. Um momento rapido. Muita gente.

 

received_260990947645512.jpegPraia. Dois cafés, dois dedos de conversa, fotos numa vidraça. Há um perfume no ar, uma harmonia. Quem poderá entender. Praia, areia, mar. Uma foto para recordar. Um abraço, grande, prelongado. Os labios de novo se tocam. Cena de um filme, muito mais sentida, muito mais verdadeira. Não há segundas intensões, apenas viver e sentir o momento. Passam os minutos, o vento sopra. Nenhum quer arredar pé dali. Nenhum quer que o tempo passe. Um passeio de carro, voltas e mais voltas. Um parque junto ao rio. Um cigarro. De novo se unem os corpos em abraços profundos. Beijos verdadeiros são trocados, palavras verdadeiras são proferidas. O tempo passa e a vontade de ficar cresce a cada instante. Muito mais que se possa imaginar.

 

Hora de partir. Separam-se. Voltam para os seus lares. No coração fica a dor da saudade, a vontade de ficar, de voltar a estar. Muito mais que uma simples ligação. Em casa, no silêncio o sonho. Vontade de lutar, de não desistir. Amar, dar todo o amor. E no sonho e no coração reside a vontade de reencontrar.