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Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Um Blogue de Ismael Sousa

A perspetiva de um homem num mundo tão igual.

Ars Luxurians - Reviver o barroco

Quando falamos em cultura musical, especialmente em Portugal, falamos numa cultura muito pouco abrangente. Aquilo que vamos ouvindo e explorando é uma música mais pop, mais do nosso dia-a-dia, numa espécie de música mais comercial. Quando falamos de música chamada clássica, passa-nos ao lado, sem interesse. Pelo menos é essa a perceção que vou tendo quando falo deste assunto.
A música, chamada clássica, vai sobrevivendo (em Portugal) pelos grupos de Câmara, coros e alguns grupos que lhe vão dedicando alguma atenção.

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Esta semana, mais própriamente esta sexta-feira, tive oportunidade de assistir a um concerto de música barroca. O grupo Ars Luxurians, esteve em residência artistica na pequena vila de Santa Cruz da Trapa, São Pedro do Sul, culminando com uma apresentação na Igreja Matriz da vila. O grupo, constituído por três violinos barrocos, uma violeta barroca, uma viola da Gamba e um cravo, sob a direção de Luis Carlos Peres, encheram todo o espaço com o gemer das cordas, associado às belas vozes da soprano Paulina Sá Machado e o barítono Daniel Simões. Numa pequena abordagem foram recordados grandes nomes de compositores barrocos, como Handel, Telemann e Vivaldi.

Ouvir um concerto deste género é sempre belíssimo. Gostaria de transpor para este texo a beleza que foi. Mas há coisas tão grandes que não se conseguem explicar por palavras. Posso dizer que durante várias vezes fechei os olhos e deixei que o gemer das cordas inundasse toda a minha mente. A perfeita fusão, o entusiasmo com que os interpretes davam às peças, tornaram uma noite simples num retorno a uma era que tem ficado esquecida no tempo.

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Pessoalmente já conhecia alguns trabalhos do grupo, graças às novas tecnologias. Há muito que desejava assistir a um concerto do grupo. É claro que este grupo me é querido, apesar de a relação nunca ter sido muita, alegra-me sempre ver pessoas que se cruzaram no meu caminho a fazerem aquilo que mais gostam e, especialmente neste caso, a dar vida a uma grande época musical. O empenho e dedicação é sempre maior que todas as forças que nos levam a desistir.
Entristece-me, contudo, que a grupos destes não seja dado o devido destaque. É um grupo jovem que luta por uma cultura que é de todos. Sinto que cada vez mais afastamos esta cultura de nós, que a deixamos guardada em arcas velhas, nos discos dos nossos avós. A música clássica não é moda, não tem futuro. Mas se esta é a realidade é porque nós deixamos. Somos progressistas num esquecimento do que está para trás. Mas aquilo que foi feito é aquilo que tornou possivel sermos o que hoje somos.

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Quanto a mim, continuarei entre os meus discos e Cd's de música clássica, entre o meu Bach, Mozart, Handel, Vivaldi, Beethoven e outros tantos. Quero parabenizar todo o grupo Ars Luxurians, Luís Carlos Peres, Paulina Sá Machado, Daniel Simões, Diana Luís, Leonor Bravo, Débora Cerqueira, Ana Sousa e Margarida Balula pela vossa excepcional performance, pela forma bela como tornam a música barroca ainda mais bela. Espero assistir a mais concertos vossos e assistir ao vosso sucesso. Agradecer também ao Centro Cultural Casa do Povo de Santa Cruz da Trapa por trazer até tão perto de nós arte como esta.
Para quem estiver interessado, este grupo estará hoje, 08 de abril de 2017, no Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, na Igreja da Misericórida, onde também será tocado o órgão de tubos por Tadeu Filipe. (Mais info aqui). Quem quiser conhecer um pouco mais o grupo, poderá acompanhar pelo Facebook (aqui) ou no canal do YouTube (aqui).

 

 

 

 


ARS LUXURIANS
O ensemble Ars Luxurians nasceu em fevereiro de 2015 com o intuito de divulgar o património musical dos séculos XVII e XVIII europeu. Os seus membros fundadores, Luís Peres, Margarida Balula e Débora Cerqueira organizaram uma série de concertos nesse mesmo ano com performances musicais em instrumentos musicais originais do período barroco ou cópias fieis dos originais. Tendo início apenas com dois violinos barrocos e cravo, o grupo foi crescendo e neste momento acata uma formação de orquestra de cordas barroca (três violinos e violeta) com baixo contínuo (viola da gamba e cravo ou órgão positivo). Para este concerto, conta ainda com a colaboração de dois cantores líricos.
O grupo apresentou-se já nas cidades de Viseu (Orfeão de Viseu, Museu N. Grão Vasco), Oliveira de Frades (Museu Municipal), Carregal do Sal (Centro Cultural), Coimbra (Museu N. Machado de Castro, Convento de S.ta Clara a Velha), Vila Real (Festival Music’alvão), Sintra (Festival in’timus), Mafra (Festival in’música), tendo tido uma receção fervorosa do público.